WASHINGTON — A imposição de sanções da ONU sobre a Coreia do Norte é o primeiro grande sucesso de política externa do governo de Donald Trump. O esforço tem uma chance de funcionar — desde que Trump continue seguindo o modelo emprestado de Barack Obama com o Irã. A única forma de pressionar uma potência nuclear ou quase nuclear são as sanções econômicas que enfraquecem o regime sem ameaçar sua existência.
Para conseguir que o Conselho de Segurança da ONU agisse contra a Coreia do Norte, Trump precisou que China e Rússia concordassem. Igualmente importante, agora ele precisa que os dois principais parceiros comerciais do país implementem restrições. Esses parceiros são justamente a China e a Rússia.
A equipe de Trump foi ajudada pelo fato de que a China não deseja a desestabilização regional ou mesmo global que a Coreia do Norte vem causando com sua expansão nuclear. E a Rússia não iria ficar sozinha com a Coreia do Norte caso a China pulasse do barco. No entanto, Trump merece crédito por ameaçar a possibilidade de sanções contra instituições financeiras chinesas que fazem negócios com Pyongyang. Essa forma de ruptura poderia causar potenciais problemas para alguns bancos estatais chineses, e foi o suficiente para fazer a China concordar com sanções mais limitadas.
O precedente óbvio que a equipe de Trump seguiu foram os esforços de Obama para isolar o Irã através da pressão americana sobre os países europeus que faziam negócios com Teerã. O que funcionou — e o que tornou as sanções significativas — foi a pressão diplomática para convencer a União Europeia a adotá-las. E por trás dessa pressão está a ameaça de punições americanas contra instituições financeiras que negociavam com o Irã. A questão agora é se Trump pode avançar para a próxima fase e elaborar um acordo com a Coreia do Norte, que serviria aos interesses americanos enquanto permitiria que outros países levantassem as sanções.
A Coreia do Norte já tem capacidade nuclear. O cenário realista teria que ser que, em troca do levantamento das sanções, o país concordasse de maneira crível em parar de desenvolver sua capacidade de lançar mísseis de longo alcance à Costa Oeste — e talvez parar de desenvolver ogivas.
O acordo é concebível, desde que a pressão econômica sobre a Coreia do Norte seja grande. O ponto exato para negociar com um regime nuclear desonesto é impor sanções que prejudicam o governo, mas não ameaçam sua existência. Enquanto a Coreia do Norte sabe que está a salvo da mudança de regime, pode tentar estancar os efeitos negativos das sanções, presumindo que elas sejam significativas.
A boa vontade da Coreia do Norte em deter a expansão de seu programa colocaria o governo Trump em uma posição embaraçosa. Por um lado, marcaria o sucesso de sua política. Por outro, provavelmente exigiria negociações diretas com Pyongyang e algum tipo de um acordo formal. Tal acordo iria colocar Trump na posição bastante difícil de fazer para a Coreia do Norte exatamente o que o governo Obama fez para o Irã. Isso seria bom para o mundo. Espero que Trump encontre uma maneira de resolver essa contradição. Tenho certeza que ele pode pensar em alguma forma.

