GENEBRA — O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu a redução imediata das tensões na Síria, após o bombardeio israelense contra alvos militares no país, em resposta à derrubada de um de seus aviões. Segundo Guterres, as Nações Unidas “acompanham de perto a alarmante escalada militar na Síria e os perigosos efeitos secundários nas fronteiras”, informou sua porta-voz, Stephane Dujarric.
Guterres faz um “chamado a todas as partes para reduzir imediatamente e incondicionalmente a violência”. O povo sírio está vivendo “um dos períodos mais violentos dos quase sete anos” da guerra civil que assolar o país.
“Apenas na primeira semana de fevereiro foram registradas cerca de 1 mil vítimas civis como consequência dos bombardeios”, apontou o chefe da ONU.
No sábado, as Forças Armadas de Israel realizaram uma série de ataques aéreos na Síria, contra alvos militares sírios e outros, supostamente iranianos. A ação foi uma resposta à derrubada de um caça israelense pelas baterias antiaéreas sírias.
O conflito começou n sexta-feira, quando um drone foi abatido por um helicóptero israelense sobre o espaço aéreo do país. Segundo as autoridades, a aeronave não tripulada era iraniana. Como resposta, a força aérea israelense realizou uma ofensiva contra o local de onde o drone teria decolado e, na ação, um caça foi derrubado.
Segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, os bombardeios miraram alvos a leste da província de Homs, onde estariam forças iranianas e membros do grupo libanês Hezbollah. Após a derrubada do avião, foi lançada uma segunda onda de ataques “de grande envergadura” contra 12 alvos, incluindo três baterias antiaéreas, informou o exército israelense.
Neste domingo, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que os ataques contra a Síria representaram um “duro golpe” no Irã e nas forças do regime sírio.
“Continuaremos atacando a todos que tentam nos atacar”, afirmou Netanyahu, em comunicado. “É nossa política e continuará sendo nossa política”.
Netanyahu disse ter conversado com o presidente russo, Vladimir Putin, e informado suas intenções de continuar se defendendo de qualquer agressão e prevenindo que o Irã estabeleça presença militar na “Síria ou qualquer outro lugar”. A Rússia também participa de operações militares na Síria, em apoio ao presidente, Bashar al-Assad.
O ministro de Relações Exteriores da Rússia criticou as ações de Israel, dizendo ser “absolutamente inaceitável criar ameaças à vida e à segurança de militares russos que estão na Síria a convite do seu governo legítimo para auxiliar na luta contra terroristas”, em comunicado divulgado no sábado.
O Líbano informou que irá apresentar protesto ao Conselho de Segurança das Nações Unidas pelo uso de seu espaço aéreo pela avião israelense para o ataque contra alvos na Síria. Em comunicado, o Ministério de Relações Exteriores do país disse apoiar o direito “legítimo” da Síria de responder à “agressão” de Israel.
Militares sírios e seus aliados negaram que o drone derrubado violou o espaço aéreo de Israel, alegando que a aeronave estava numa missão regular para a coleta de informações sobre militantes do Estado Islâmico no deserto da província de Homs.

