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Artigo: Congresso não pode agir sozinho para investigar Trump

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Vamos começar com o que sabemos: há poucas dúvidas de que o governo russo tenha tentado uma operação prolongada no ano passado para tentar influenciar nossas eleições. Todas as 17 agências da comunidade de Inteligência dos EUA concordam com isso, e essa unanimidade é rara. Também é claro que o objetivo da operação era aumentar a probabilidade de que Donald Trump fosse eleito. Esta não é uma declaração partidária, especialmente se olharmos para ela da perspectiva do presidente russo, Vladimir Putin: as posições do então candidato sobre a Rússia eram muito mais favoráveis a Moscou do que as de sua oponente, Hillary Clinton. A antipatia pessoal entre Putin e Hillary provavelmente também desempenhou um papel importante.

O que mais sabemos? Vimos uma série de dados ligando a campanha de Trump ao governo russo antes da eleição. Sabemos que Michael Flynn, ex-assessor de Segurança Nacional e membro ativo da campanha, visitou Moscou a convite da RT, uma TV russa controlada e financiada pelo Kremlin. Sabemos que a RT pagou a viagem. Sabemos que Flynn se sentou à mesa com Putin durante um evento da rede. Sabemos que ainda existem alegações não comprovadas de conexões entre Paul Manafort, ex-chefe de campanha de Trump, e a Rússia. Sabemos que há questões pendentes sobre o advogado pessoal de Trump, Michael Cohen, a respeito de uma viagem à Europa para reuniões com russos (o que ele negou).

Mesmo se apenas um desses pontos for correto, é necessária uma investigação séria. Que a campanha ou qualquer um de seus representantes tenha, de qualquer forma, se coordenado com o governo russo no período pré-eleitoral constitui uma ameaça a um pilar primário da democracia americana: as eleições livres e justas. E descobrir as conexões entre Moscou e Trump não será possível se deixarmos isso para o Congresso. Para uma questão tão séria — e politicamente complexa — precisamos de uma investigação independente. Como os membros do Congresso estão envolvidos, a política partidária inevitavelmente entra em jogo.

A Comissão do 11 de Setembro tentou chegar à causa de como milhares de americanos poderiam ser mortos nos Estados Unidos por terroristas. Esses ataques foram horríveis, mas politicamente todos em Washington concordavam sobre quem era o inimigo e que atentados como aqueles nunca mais deveriam acontecer. Era, realmente, uma questão bipartidária. A possibilidade muito mais traiçoeira da cooperação de Trump com a Rússia para ganhar a eleição também deve ser de interesse bipartidário, investigada por uma comissão independente. Se isso não acontecer, e os resultados do trabalho da comissão de supervisão sejam simplesmente um dar de ombros, um grave dano terá sido feito à base de nossa democracia.

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