PARIS — O homem que bateu seu carro deliberadamente em um veículo da polícia em Paris jurou fidelidade ao Estado Islâmico em uma carta ao seu cunhado, afirmou nesta terça-feira uma fonte próxima à investigação à Reuters. Adam Djaziri tinha armas escondidas em casa e possuía licença para seu porte, apesar de estar na lista do serviço secreto de pessoas ligadas ao islamismo radical desde 2015, afirmou a polícia e autoridades francesas nesta terça-feira.
Investigadores estão compilando um inventário das armas e equipamentos encontrado na residência do homem de 31 anos. Djaziri tinha ao menos nove armas, incluindo duas pistolas e um fuzil kalashnikov em casa, segundo a fonte. O homem, que morreu no ataque, também carregava em seu carro um fuzil, duas pistolas, munição e dois grandes cilindros de gás quando colidiu com um comboio da polícia na segunda-feira.
Dzariri havia sido colocado na chamada "Fiche S" da França, uma lista de monitoramento, após ser descoberto que ele participava de um movimento radical islâmico, informaram duas fontes da polícia. Indivíduos da lista são colocados sob supervisão, embora a intensidade da supervisão varie dependendo do nível de ameaça percebida.
O primeiro-ministro francês, Édouard Philippe, disse que o homem recebeu a licença para porte de armas antes de ser identificado por agências de inteligência como uma potencial ameaça militante. Philippe disse ser bem possível que a licença estivesse ativa no momento em que o agressor já estava na lista de monitoramento de segurança. Três fontes próximas da investigação confirmaram que o documento estava válido.
— Ninguém pode estar feliz, e certamente não eu, que alguém que tinha sido sinalizado para agências de segurança possa continuar se beneficiando de uma autorização desse tipo — disse Philippe à BFM TV.
Philippe disse que um projeto de lei elaborado em maio prevê mudanças para permitir que autoridades que lidam com licenças de armas possam checar se os indivíduos estão em alguma lista de monitoramento.
A polícia francesa anunciou mais cedo a detenção de quatro integrantes da família do islamista radicalizado. A ex-esposa de Adam Djaziri, seu pai, seu irmão e sua cunhada foram detidos após uma operação em sua residência na região de Paris.
A tentativa de atentado ocorreu perto do Palácio do Eliseu e da embaixada americana. O canteiro do teatro de Marigny, próximo à rotatória da avenida, foi esvaziado. A estação de metrô Champs-Elysées-Clémenceau, que serve às linhas 1 e 13 da cidade, ficou fechada por medida de segurança.
A França está em estado de alerta máximo após uma onda de ataques terroristas que deixaram 239 mortos desde 2015. Em 20 de abril, também na Champs-Elysées, um francês de 39 anos matou um policial com dois tiros na cabeça e feriu dois outros agentes e uma turista alemã, antes de ser morto. O atentado aconteceu dias antes da eleição presidencial.

