Início Mundo Boca de urna aponta vitória de Netanyahu em eleições de Israel
Mundo

Boca de urna aponta vitória de Netanyahu em eleições de Israel

Envie
Envie
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O partido Likud, do premiê Binyamin Netanyahu, foi o mais votado nas eleições realizadas em Israel nesta segunda-feira (2): a legenda conseguiu 37 cadeiras, contra 33 do Azul e Branco, principal legenda rival, segundo pesquisas de boca de urna divulgadas pelos canais de TV 12 e 13. 

>

Ao considerar os votos obtidos pelos partidos que apoiam Netanyahu, o premiê teria o apoio de 60 assentos, e faltaria apenas um para conseguir a maioria e, assim, formar governo. O bloco de centro-esquerda e árabes somaria 54. 

>

Os números apontam um avanço de Netanyahu em relação à última votação em setembro, quando o Likud teve 32 assentos e o Azul e Branco, 33. 

>

Os locais de votação ficaram abertos entre 7h (2h em Brasília) e 22h (17h). Mais de 6 milhões estavam aptos a votar, e o comparecimento foi o mais alto desde 1999. Até 20h (15h em Brasília), 65,5% dos eleitores haviam participado, 1,8 ponto percentual a mais do que na votação de setembro. 

>

Havia temores de que a epidemia do novo coronavírus pudesse desmotivar os eleitores a irem votar, mas isso aparentemente não ocorreu. O país registrou dez casos da doença.

>

Ao sair do local de votação, Netanyahu disse que este era um dia de orgulho e convocou os cidadãos a irem às urnas. 

>

"Espero que hoje seja o dia de mudar, acabar com a difamação e com as mentiras", declarou Benny Gantz, 60, líder do partido Azul e Branco, depois de votar na cidade de Rosh Haayin, em uma crítica a Netanyahu. O Likud foi multado em cerca de 7.500 shekels (R$ 9,660) por espalhar um vídeo adulterado de Gantz.

>

Israel teve duas eleições em 2019, em abril e em setembro. Nas duas ocasiões, Netanyahu e Gantz tentaram formar governo, mas não conseguiram um acordo entre eles nem com outros partidos. Um dos entraves foi que Netanyahu se recusou a abrir mão da liderança do Likud e, por consequência, do cargo de premiê.

>

Nos últimos meses, o processo que investiga o atual primeiro-ministro por corrupção avançou: ele foi indiciado oficialmente pelas acusações de fraude, abuso de poder e quebra de confiança em três casos diferentes. O julgamento está marcado para começar em 17 de março.

>

A investigação seguirá mesmo que Netanyahu consiga renovar o mandato. Para obter imunidade, ele precisa de aprovação do Parlamento. Houve uma tentativa em janeiro, mas o premiê desistiu do pedido pouco antes da sessão que debateria o caso. Ele poderá tentar de novo se conseguir ampliar sua base de apoio após a votação desta segunda. 

>

Netanyahu tem o apoio dos partidos judaicos ultraortodoxos Shas, Judaísmo Unido da Torá e da lista Yamina (direita radical), do atual ministro da Defesa, Naftali Bennett. 

>

O Azul e Branco tem o apoio dos partidos de centro-esquerda que se uniram em apenas uma lista e poderia receber o respaldo da Lista Unida, que agrega legendas árabes israelenses, grupo que surpreendeu em setembro e se tornou a terceira força do Knesset, o Parlamento de Israel.

>

A Lista Unida tenta se beneficiar da frustração entre a minoria árabe israelense (20% da população) com o plano apresentado pelos Estados Unidos para solucionar o conflito israelense-palestino, um projeto aplaudido por Israel e rejeitado pelos palestinos.

>

A proposta do presidente Donald Trump prevê a conversão de Jerusalém na capital indivisível de Israel e a transferência do controle de uma dezena de vilarejos e localidades árabes israelenses a um futuro Estado palestino. 

>

Netanyahu centrou a campanha no plano de Trump, prometendo a rápida anexação do vale do Jordão e de colônias israelenses na Cisjordânia, território palestino ocupado por Israel em 1967, como contempla o projeto americano.

>

Gantz, que também apoia o projeto americano, baseou a campanha nos problemas judiciais do primeiro-ministro, no poder há 11 anos consecutivos (14, se somados três anos em que governou o país durante a década de 1990).

>

Neste contexto, o partido Israel Nossa Casa, que não simpatiza com nenhum dos grandes blocos, pode ser o fiel da balança. Seu líder, Avigdor Lieberman, é um nacionalista laico hostil aos partidos árabes e judeus ortodoxos.

>

Ele deve conquistar entre seis e setes cobiçadas cadeiras, mas, como das duas vezes anteriores, não se comprometeu nem com direitistas nem com esquerdistas. 

>

Lieberman até se identifica com a direita quando se trata de diplomacia e relacionamento com os palestinos. Mas está mais próximo da esquerda progressista sobre a separação entre religião e Estado.

Siga-nos no

Google News