SÃO PAULO, 17 Jun (Reuters) - Analistas do BTG Pactual reiteraram recomendação de compra para as ações da Cosan, conforme relatório a clientes publicado nesta quarta-feira, no qual destacam que ficou mais claro o caminho para destravar o "valor significativo" da complexa estrutura do conglomerado com atuação em energia, infraestrutura logística, combustíveis e agronegócio.
"A companhia começou a migrar de uma estratégia de construção de ativos para a sua monetização, de expansão da holding para simplificação, e de uma estrutura complexa para uma redução gradual dessa complexidade", afirmaram Thiago Duarte e Guilherme Guttilla.
"Dito isso, os últimos meses não foram isentos de contratempos. A Compass foi listada com uma avaliação abaixo das nossas expectativas iniciais, e um ambiente inflacionário mais persistente atrasou o ciclo de queda de juros no Brasil. Como uma holding ainda alavancada, isso implica um processo mais lento de desalavancagem", acrescentaram.
De acordo com os analistas, após o follow-on da companhia e o IPO da Compass, a dívida líquida ajustada da Cosan no nível da holding recuou de forma relevante, embora o carrego permaneça negativo. As despesas financeiras, acrescentaram, continuam acima dos dividendos esperados das subsidiárias em 2026, implicando uma queima de caixa de cerca de R$1 bilhão neste ano, incluindo despesas da holding e excluindo itens não recorrentes.
"Embora o cenário seja menos favorável do que o anteriormente esperado, ele ainda é bastante solucionável", afirmaram. "Vemos Radar e Rumo como os candidatos mais evidentes para monetização no curto prazo. A Moove segue sendo um ativo de alta qualidade e com elevado potencial de monetização no médio prazo, enquanto a Compass agora é um ativo líquido."
Nesta quarta-feira, a Cosan divulgou acordo feito pela Radar para a venda de 12% do seu portfólio total de propriedades agrícolas por R$1,85 bilhão, sendo aproximadamente R$586 milhões referentes à participação da holding.
Fontes também afirmaram à Reuters que o banco de investimentos independente Moelis & Company e a consultoria financeira Journey Capital, assessores dos credores da Raízen receberam ofertas não vinculantes da gestora de private equity IG4 na noite de segunda-feira para adquirir créditos e o controle da empresa.
Na visão de Duarte e Guttilla, a Cosan ainda negocia com um desconto de holding de 29%, que tem surpreendentemente se ampliado, apesar do caminho mais tangível para simplificação da estrutura.
"A tese de investimento deixou de ser sobre financiar o próximo ciclo de expansão e passou a ser sobre participar da monetização do que já foi construído. À medida que as vendas de ativos avançam após marcos importantes já terem sido atingidos, os investidores devem se beneficiar da redução da dívida da holding, do estreitamento do desconto e, potencialmente, da conversão desse desconto em prêmios de controle."
O preço-alvo da equipe do BTG Pactual para a Cosan agora é de R$8 por ação, implicando potencial de valorização de 145% ante o fechamento da véspera, com a incorporação dos valuations atualizados para Compass e Rumo. Em relatório de março, o BTG tinha preço-alvo de R$10,50 para a Cosan.
Na bolsa paulista, por volta de 14h10, os papéis da holding avançavam 7,95%, a R$3,53, melhor desempenho do Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, que subia 1,25%.
O BTG tem 22,86% da Vertiz Holding, que faz parte do grupo de controle da Cosan com uma participação de 24,19%.
(Por Paula Arend Laier; edição de Igor Sodré)



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