Por Rachel More
BERLIM, 13 Jul (Reuters) - A Volkswagen pode precisar cortar cerca de 50 mil empregos adicionais para alcançar o nível de competitividade de seus concorrentes, disse o presidente-executivo da companhia, Oliver Blume, em memorando interno aos funcionários, confirmando pela primeira vez que a montadora pretende reduzir em até 100 mil o número de postos de trabalho.
Blume está trabalhando para racionalizar a maior montadora de automóveis da Europa, cujos lucros despencaram devido a custos tarifários na casa dos bilhões de euros, forte concorrência na China e pressão sobre sua rede de produção na Alemanha para se tornar mais eficiente.
Após já ter concordado com o corte de 50 mil postos de trabalho em todo o grupo, incluindo as suas subsidiárias Porsche e Audi, a empresa deve trabalhar para reduzir ainda mais os custos, tendo calculado uma desvantagem de custos de 20% em relação a empresas comparáveis, disse Blume no memorando visto pela Reuters.
Isso significa uma "redução teórica" de mais 50 mil empregos em todo o mundo, segundo o memorando.
"Estamos avaliando, em todas as marcas, empresas e regiões, quantos ajustes são realmente necessários e viáveis", disse Blume no documento.
A empresa havia se recusado anteriormente a comentar as notícias de que estaria considerando até 100 mil cortes de vagas.
O memorando surge na sequência de protestos acalorados dos trabalhadores, que exigem que a administração explique seus planos de reestruturação, os quais Blume apresentou ao conselho de supervisão da empresa na quinta-feira.
Fontes familiarizadas com o assunto disseram que os representantes dos trabalhadores na comissão rejeitaram as propostas, que supostamente incluíam cortes de pessoal e o possível fechamento de quatro fábricas.
"Até o momento, ainda não podemos confirmar casos de uso competitivos para as fábricas de Emden, Hanover, Zwickau e Neckarsulm na década de 2030", disse Blume no memorando.
Ele afirmou preferir "soluções inteligentes" ao fechamento de fábricas, tendo anteriormente mencionado a indústria de defesa ou a produção de modelos chineses da Volkswagen na Europa como opções para fábricas subutilizadas.
(Reportagem de Rachel More)



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