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Chacinas não alteram leis de controle de armas de fogo nos EUA

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WASHINGTON — Quatro dos dez mais sangrentos ataques a tiros nos Estados Unidos ocorreram nos últimos dois anos — incluindo os dois no topo da lista em número de vítimas. Mas nem isso motivou mudanças nas leis. Sequer pontos nos quais houve acordo entre os dois partidos após o massacre de Las Vegas no ano passado — o mais mortífero da História do país, com 58 mortos e 500 feridos — avançaram: a proibição de acelerador de tiros para fuzis e o fechamento das brechas ao sistema de verificação de antecedentes criminais.

— Isso é um ataque ao nosso país, que está pagando o preço por nossa falta de ação — disse Nancy Pelosi, líder na Câmara dos Representantes dos democratas, partido que defende um maior controle de armas.

A legenda já tentou, após o ataque à boate Pulse, em Orlando, em 2016 (49 mortos), impedir que quem estiver na lista de suspeitos de terrorismo possa comprar armas, mas nem isso passou. Também tentou, sem sucesso, votar a proibição da venda de fuzis à população, liberada pelo presidente George W. Bush. Os republicanos, defensores do direito ao porte de armas previsto na Segunda Emenda à Constituição, se opõem a qualquer mudança. O partido é próximo — e recebe muitas doações — da poderoso lobby da Associação Nacional de Rifles (NRA).

Em nota, a Brady Campaign to Prevent Gun Violence, ONG de controle de armas, lembra que se a Flórida tivesse leis impedindo a venda de armas a pessoas que geram “riscos extremos” — norma que existe em quatro dos 50 estados americanos — a tragédia de quarta-feira, com 17 mortos e 14 feridos, poderia ter sido evitada. Isso porque o atirador confesso, o ex-estudante Nikolas de Jesus Cruz, de 19 anos, não teria a permissão para comprar o AR-15 que utilizou na chacina, pois sua mãe já havia pedido ajuda policial por sua causa, o que o colocaria, se a lei existisse, em uma “lista negra”.

Dados do atirador — que está vivo e detido, algo raro nestes casos, quando em geral terminam mortos ou cometem suicídio — indicam problemas sociais e psiquiátricos. Integrante de um grupo supremacista branco, o República da Flórida (segundo o líder da organização, que rejeitou responsabilidade no ataque), ele teve treinamento paramilitar. Cruz havia sido expulso da escola onde executou o massacre e já havia enviado mensagens de ódio no YouTube e em redes sociais, dizendo que se tornaria um “atirador profissional de escolas”. Estas mensagens foram obtidas previamente pelo FBI, que não o rastreou.

O condado de Broward, onde está Parkland, reconheceu que ele recebeu tratamento psiquiátrico por um ano, mas deixou o programa depois da morte de sua mãe adotiva, em novembro. Depoimentos indicam que ele ficou deprimido com a perda. Trabalhando em uma loja de produtos baratos (“loja de 1,99” nos EUA), sempre foi considerado um sujeito pouco sociável por colegas e com histórico de violência na escola.

Apesar das evidências de que este caso poderia ter sido impedido com regras mais fortes sobre armas, o presidente Donald Trump evitou tratar do tema — como fez no passado.

“Tantos sinais de que o atirador da Flórida era um perturbado mental, expulso, inclusive, da escola por sua conduta má e errática. Os vizinhos e os colegas de turma sabiam que era um grande problema. É preciso informar esses casos às autoridades sempre, de novo e de novo!”, escreveu o presidente no Twitter.

Mais tarde, em uma coletiva na Casa Branca, Trump expressou condolências e disse que visitará a escola. E expôs seus planos:

— Tornar as nossas escolas e os nossos filhos mais seguros será a nossa principal prioridade — disse, sem pronunciar nenhuma palavra sobre o controle de armas.

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