RIO — Há seis dias desaparecido, o gera muita agonia para as autoridades e, sobretudo, os familiares dos seus tripulantes. Numa corrida contra o tempo, a Marinha já alertou que as operações de busca chegaram a uma fase crítica. Ao GLOBO, o analista do Instituto Naval dos EUA, Eric Wertheim, apontou obstáculos para encontrar a embarcação, explicando que as chances de um resgate bem sucedido diminuem a cada hora que passa. No entanto, destaca que o apoio externo chegou rápido, diferente do naufrágio do submarino russo Kursk em 2000.
Um dos grandes mistérios é o que aconteceu com o San Juan. O que pode ter causado a interrupção nas comunicações e o desaparecimento do submarino?
Pense num automóvel. Há milhões de peças e sistemas que podem falhar e impedir seu funcionamento. A diferença é que neste caso é possível simplesmente parar no canto da estrada, enquanto com submarinos ou aviões, que têm estruturas mais complexas, temos um cenário de maior urgência e dificuldade para evitar uma tragédia.
Como a equipe de um submarino deve reagir no caso de uma falha técnica?
Três medidas devem ser tratadas como prioridades quando há problemas com submarinos: a primeira é tentar garantir, de alguma forma, que o submarino não ultrapasse seu limite de profundidade. Todos os submarinos são diferentes, mas no caso do San Juan, esse limite estaria por volta dos 300 metros. Abaixo desse limite, a pressão pode causar rachaduras no casco, criando o risco de uma inundação. A segunda prioridade seria evitar incêndios, já que o oxigênio é limitado, e as chamas consumiriam boa parte do ar usado pela tripulação. Por fim, a tarefa mais difícil é tentar enviar sinais de alerta de alguma maneira.
Há semelhanças entre o caso do San Juan e o do submarino russo Kursk, que naufragou em 2000?
É difícil dizer, porque ainda não há certeza sobre o que aconteceu com o submarino argentino. No caso do Kursk, o apoio internacional chegou tarde demais, e isso diminuiu incrivelmente as chances de um resgate bem-sucedido. No caso do San Juan, o apoio externo chegou rápido.
A Marinha afirmou ontem que detectou sons que poderiam ser sinais de resgate enviados pela tripulação. Nesse estágio ainda é possível ter a esperança de um resgate bem-sucedido?
Como a Marinha informou, estamos numa fase crítica, e cada hora que passa diminui as chances de um resgate bem-sucedido. Ouvimos todo tipo de rumores, mas caso o San Juan tenha passado de 260 metros de profundidade, será muito difícil resgatar alguém com vida. Mas tudo é possível, e seguimos torcendo por um bom resultado. Em 1939, o Squalus, um submarino americano, sofreu uma inundação, mas a câmara de resgate foi usada com sucesso para retirar sobreviventes.
Como o incidente afetará a manutenção e as preocupações com a segurança no uso de submarinos?
O San Juan é um submarino de classe TR-1700, fabricado na Alemanha na metade da década de 1980. Embora partes do submarino, como o sistema de propulsão, tenham sido renovadas, sabemos que a Argentina tem dificuldades orçamentárias, e que a manutenção de sua frota é um grande desafio a ser enfrentado no futuro.

