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Dólar sobe ante real após anúncios do Fed e do BC sobre juros

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Dólar sobe ante real após anúncios do Fed e do BC sobre juros
Dólar sobe ante real após anúncios do Fed e do BC sobre juros

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 18 Jun (Reuters) - O dólar iniciou a quinta-feira em alta ante o real e quase todas as demais divisas globais, após decisão da véspera do Federal Reserve reforçar apostas de alta de juros nos EUA ainda em 2026, enquanto no Brasil os agentes reagem ao comunicado de política monetária do Banco Central, visto como mais suave no combate à inflação.

Às 9h52, o dólar à vista subia 0,40%, aos R$5,1309 na venda.

Na B3, o contrato de dólar futuro para julho -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- avançava 0,45%, aos R$5,1450.

As decisões de política monetária do Fed e do BC na véspera, cada uma a sua maneira, atuam para o avanço do dólar ante o real nesta manhã.

No caso do Fed, a instituição manteve na tarde de quarta-feira sua taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, mas passou indicações de que um aumento pode ocorrer até o fim do ano. Com isso, os investidores globais elevaram as apostas de pelo menos um aumento de juros pelo Fed, possivelmente já em agosto.

Em reação, o dólar exibia ganhos ante a maior parte das demais divisas nesta quinta-feira, incluindo divisas de países emergentes como o real, o peso chileno, a lira turca e o peso mexicano.

No Brasil, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, na noite de quarta-feira, corroborava o movimento. O colegiado cortou a taxa básica Selic em 25 pontos-base, para 14,25% ao ano, e adotou na visão de alguns analistas uma postura “dovish” (mais suave no combate à inflação), ao estender o horizonte relevante para que a inflação possa convergir à meta de 3% (do quarto trimestre de 2027 para o primeiro trimestre de 2028).

Na prática, o BC indicou que pode levar um pouco mais de tempo para atingir a meta, o que deixa a porta aberta para novo corte da Selic em agosto.

“O grande destaque ficou por conta justamente da rolagem do horizonte relevante em um trimestre à frente, sinalizando que o comitê... opta por buscar uma justificativa que sustente um corte de juros, mostrando uma postura mais propensa a riscos inflacionários”, avaliou a equipe da Genial Investimentos em análise publicada após a decisão.

Assim, a perspectiva de juros mais altos nos EUA, somada à possibilidade de novo corte no Brasil, torna o diferencial de juros brasileiro menos atrativo ao investimento estrangeiro, o que em tese pode prejudicar o fluxo de dólares para o país.

Na quarta-feira, a moeda norte-americana à vista fechou com alta de 0,41%, aos R$5,1104.

Às 11h30, o Banco Central realiza leilão de 60.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 1º de julho.

No exterior, às 9h45 o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,34%, a 100,690, com investidores também monitorando o noticiário sobre a guerra no Oriente Médio.

Três petroleiros com bandeira saudita, transportando 6 milhões de barris de petróleo, atravessaram o Estreito de Ormuz nesta quinta-feira, poucas horas depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou um acordo com o Irã para pôr fim à guerra.

(Edição de Camila Moreira e Isabel Versiani)

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