Início Mundo Em missão no Oriente Médio, Pompeo conclama países a impor sanções ao Irã
Mundo

Em missão no Oriente Médio, Pompeo conclama países a impor sanções ao Irã

Envie
Envie

Em sua visita a Israel neste domingo, o novo secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, não poupou críticas ao Irã, classificando o país persa como uma ameaça internacional, cujas ambições foram estimuladas pelo acordo nuclear de 2015, repetindo o discurso da véspera, quando passou pela Arábia Saudita, ambos países importantes aliados de Washington no Oriente Médio.

Empossado oficialmente na última quinta-feira no lugar de Rex Tillerson, Pompeo, ex-diretor da CIA e considerado linha-dura, foi saudado pelo premier israelense, Benjamin Netanyahu, como “um amigo verdadeiro de Israel”. Pompeo, por sua vez, disse que o Irã quer dominar todo o Oriente Médio, acrescentando que os “EUA estão com Israel nesta luta”.

— As pessoas acharam que as agressões do Irã seriam reduzidas como resultado do acordo (nuclear) — disse, por sua vez, Netanyahu. — Mas ocorreu o oposto. O Irã está devorando um país após o outro. O Irã precisa ser parado.

O acordo nuclear com o Irã foi negociado e assinado em 2015, na gestão do ex-presidente Barack Obama, com o aval de Alemanha, França, Reino Unido, Rússia e China, além dos EUA. Mas foi criticado por Donald Trump desde a campanha presidencial americana, classificando-o como um erro da administração de Obama. Netanyahu também foi um feroz crítico do pacto, defendendo sua rejeitção no Congresso americano. Em sua visita à Casa Branca na semana passada, o presidente da França, Emmanuel Macron, tentou convencer seu colega americano sobre a importênca de preservar o acordo, admitindo a revisão de alguns pontos considerados omissos.

Em sua passagem por Riad, no sábado, Pompeo se reuniu com o ministro de Relações Exteriores da Arábia Saudita, Adel al Yubeir, com quem discutiu “a ameaça iraniana”. De maioria sunita, o reino saudita é inimigo dos xiitas que dominam a república persa. Uma alta fonte do Departamento de Estado disse ao “Washington Post” que Pompeo disse aos sauditas que o programa de mísseis balísticos do Irã é uma ameaça à paz e à segurança:

— Estamos conclamando os países em todo o mundo a aplicar sanções a indivíduos e entidades associadas ao programa de mísseis do Irã. Tem sido uma parte importante do nosso diálogo com os europeus.

A campanha para asfixiar a economia iraniana ganhou impulso com os sinais de que a estratégia funcionou com o regime norte-coreano, trazendo o ditador Kim Jong-un à mesa de negociações. A discussão sobre os mísseis balísticos iranianos tem particular apelo aos sauditas, que nos últimos quatro meses sofreu ataques de mísseis dos rebeldes houthis do vizinho Iêmen, que são apoiados por Teerã.

O debate em torno do programa de mísseis balísticos iraniano ressurge à medida que se aproxima o fim do prazo para que o presidente Trump decida se prorroga a suspensão de sanções contra o Irã, suspensas desde a assinatura do pacto de 2015. Washington quer incluir a questão dos mísseis num acordo suplementar. O Irã já anunciou que não aceita rever o acordo nuclear.

A fonte ouvida pelo “Post” resume a preocupação dos americanos: “O Irã tem o maior arsenal de mísseis balísticos da região. Estes mísseis prolongam a guerra e o sofrimento no Oriente Médio. Eles ameaçam nossa segurança e interesses econômicos, bem como ameaçam Arábia Saudita e Israel. Há uma crescente conscientização internacional sobre a necessidade de impor urgentemente custos ao programa iraniano de mísseis.”

No domingo, os presidentes da França, Emmanuel Macron, e do Irã, Hassan Rouhani, conversaram por telefone e concordaram em trabalhar juntos nas próximas semanas para preservar o acordo nuclear, informou o governo francês em um comunicado. Na conversa, que durou mais de uma hora, Macron proprôs a inclusão de “três assunto adicionais e indispensáveis”: o programa de mísseis balísticos de Teerã; as atividades nucleares do Irã após 2025; e as “principais crises regionais” no Oriente Médio.

Em seu encontro com Netanyahu, Pompeo manifestou orgulho pela decisão da Casa Branca de reconhecer Jerusalem como capital de Israel, transferindo sua embaixada para a cidade, considerada pela ONU como território neutro.

— Ao reconhecer Jerusalem como capital de Israel e lugar de seu governo, estamos reconhecendo a realidade — disse Pompeo.

Após passar por Riad e Tel’Aviv, Pompeo segue para Amã, na Jordânia, onde se reunirá como rei Abdullah II. Em sua visita ao Oriente Médio, no entanto, o novo secretário de Estado não tem planos de se reunir com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, ou qualquer outro líder palestino.

Siga-nos no

Google News