Natural de Amiens, o jovem candidato à presidência da França tem 39 anos e é membro de um partido criado há pouco mais de um ano, o “Em Marcha!”.
SUA CAPACIDADE PARA CRIAR EQUIPES
Seu partido político, “Em Marcha!”, tem apenas poucos mais de um ano. Anteriormente, o jovem candidato foi assessor do atual presidente, até que François Hollande propôs que ele assumisse o comando do Ministério da Economia, onde esteve por dois anos.
— É uma pessoa que certamente sabe chegar a consensos e armar equipes, caso contrário ele não poderia ter feito tudo o que fez em tão pouco tempo. Seu estilo de gestão vão ser de um gerente; ele vai saber fazer conciliações com todos os envolvidos, mas sempre sustentando seus princípios europeístas, liberais, de abertura econômica e de tolerância para com a imigração. Além disso, vai contar com o econômico e político — analisa Alejandro Carrera, professor de política na IAE Business School.
UM ANTI-SISTEMA QUE SABE JOGAR COM O SISTEMA
Com uma carreira profissional construída no mundo dos negócios, Macrón chegou ao poder devido ao seu passado exitoso como executivo.
— Sua experiência bancária lhe ajuda a entender as necessidades e aspirações da comunidade empresarial, incluindo os jovens criadores de . Ela também lhe dá uma perspectiva global sobre a economia para resolver problemas sociais — explica Alessia Lefebure, professora da Universidade de Columbia. No entanto, ela diz que, por mais que Macron afirme ser um antissistema, é um produto puro desse mesmo sistema que critica.
— Ele afirma estar disposto a mudar e reformar um sistema de educação que lhe permitir tornar-se o que é hoje. Sua fraqueza é que ele não tem credibilidade para levar a cabo as reformas que são necessárias — aponta a professora.
UM OUTSIDER VAI PRECISAR DE ASSESSORES
Na última eleição presidencial, Macron ainda não figurava o ambiente político; na verdade, ele nunca teve um cargo eletivo. É relativamente novo e os eleitores ainda não têm certeza sobre seu potencial. os mais otimistas tendem a lhe dar uma oportunidade, mesmo que seja apenas para votar contra sua rival.
— Caso seja eleito, ele vai precisar que o aconselhem. Ele vai ter que negociar e tratar com partidos tradicionais, já que vai buscar em alguns deles seus ministros. Além disso, vai ter que acomodar uma coalizão diversa que votará com ele, com o objetivo de frear Le Pen. No momento, sua falta de experiência vai ficar a seu favor. Ele é visto como uma nova opção e as pessoas se esquecem que ele foi ministro durante dois anos — analisa Lefebure.
CONEXÃO COM CLASSES MAIS BAIXAS, SEU PONTO FRACO
O candidato passou por uma situação embaraçosa na semana passada, quando visitou uma fábrica de eletrodomésticos em sua cidade natal, Amiens. Considerado um homem da elite, os trabalhadores assobiavam e cantavam o nome de Marine Le Pen, que em uma sagaz jogada política resolveu surpreender a todos e visitou a mesma fábrica minutos antes do centrista.
— Macron não é um rival das ruas, mas ele tentou sair e falar com pessoas de uma fábrica local. Foi um desastre, o criticaram e a situação o abalou. Ele se sente mais cômodo quando fala com as elites ou com pessoas mais preparadas, que são as de seu ambiente. O desafio para ele é tentar ser “normal”, como são a maioria dos eleitores — disse Jonah Levy, professor de Ciências Políticas da Universidade da Califórnia, Berkeley.
A CARA DE UMA REVOLUÇÃO DE GERAÇÕES
Se eleito presidente, Macron vai se tornar o presidente mais jovem da história da França desde a época de Napoleão Bonaparte.
— Com Macron vai haver uma mudança de guarda, uma renovação geracional, com novo estilo. Os jovens chegam com menos carga ideológica, com menos compromissos e com mais frescura, mas muitas vezes estouram de forma explosiva e inesperada, como nesse caso — disse Carrera. Com apenas 39 anos, Macron conseguiu romper com o bipartidarismo tradicional característico da França, posicionando-se como um candidato que não é de direita nem de esquerda.
— Caso seja eleito presidente, ele pode ter que conviver com um primeiro-ministro de outro partido. Por seu perfil, Macron pode conviver com um executivo de outra legenda política.

