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Estragos do furacão Irma devasta Caribe e deixa ao menos 38 mortos

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ST. JOHN’S, Antigua e Barbuda — Os estragos do furacão Irma pelo Caribe foram devastadores, e a tempestade mergulhou países e ilhas da região em crises humanitárias. Agora rebaixado a tormenta tropical, o fenômeno atingiu diretamente vários pontos da região na categoria 5 (a mais alta): Barbuda, St. Barths, St. Martin, Anguilla, Cuba, as Ilhas Virgens britânicas e americanas e Porto Rico, deixando pelo menos 38 mortos. As inundações e os fortes ventos destruíram construções, sistemas elétricos e forçaram a paralisação de atividades essenciais, com escassez de comida, água potável e remédios. A ajuda humanitária está chegando agora às ilhas caribenhas, mas governos estão sendo alvo de críticas pela demora em responder à emergência.

Muitos moradores, entre eles bilionários com casas na região, criticaram os governos regionais pela lenta reação ao desastre natural. O furacão devastou vilas e cidades, destruindo casas, hospitais e estradas, e houve saques.

— Toda a comida acabou — lamentou Jacques Charbonnier, de 63 anos, morador da ilha francesa de St. Martin, ao “New York Times”. — As pessoas estão lutando nas ruas pelo que sobrou.

A nova-iorquina Tiffany Bender, que estava hospedada em St. Martin, afirmou à rede CBSN que ela e seus amigos não tinham como deixar o local.

— Estamos pedindo não apenas por nós. Por favor, liguem para seus deputados, senadores, embaixadas e digam que há cidadãos presos aqui, em Anguilla e St. Barths — afirmou antes ser levada para Porto Rico por equipes de emergência dos Estados Unidos, que enviaram ontem um avião à ilha.

Em Cuba, a passagem do Irma também causou mortes — sete em Havana, sendo quatro homens e três mulheres. Outros três homens, com idades entre 53 e 65 anos, morreram nas províncias de Matanzas (oeste), Ciego de Avila (centro) e Camagüey (leste) no desabamento de suas casas. Um homem de 71 anos, morreu eletrocutado após a queda de um cabo de energia elétrica na capital cubana. Outra vítima, de 77 anos, foi atingida por um poste derrubado pelo vento.

Sob pressão, o presidente francês, Emmanuel Macron, chega a St. Martin hoje e prometeu ir também a St. Barths. Após críticas de opositores, o mandatário afirmou no Twitter que as equipes militares e policiais foram redobradas para “reforçar rapidamente a segurança das vítimas”. O governo francês realizou reuniões interministeriais em Paris no fim de semana e ontem para definir um plano sobre questões de saúde, habitação e reconstrução nessas ilhas, onde os danos podem chegar a € 1,2 bilhão (US$ 1,45 bilhão).

A presidente do partido de extrema-direita Frente Nacional, Marine Le Pen, denunciou no sábado que o governo “não antecipou nada” e que os recursos foram “insuficientes”. Na mesma linha, o líder do partido de esquerda radical França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon, exigiu a criação de uma comissão parlamentar de inquérito sobre a gestão preventiva da catástrofe.

O chanceler do Reino Unido, Boris Johnson, defendeu as medidas adotadas pelo governo britânico diante do Irma. Segundo ele, o país enviou um navio da Marinha e quase 500 soldados para ajudar as pessoas nas Ilhas Virgens britânicas, Anguilla e Turks e Caicos. No domingo, a primeira-ministra Theresa May anunciou um fundo de 32 milhões de libras (US$ 42 milhões) para ajudar a recuperação da região, e Johnson prometeu ampliar o montante.

Grandes executivos e celebridades também viram seus patrimônios atingidos pelo Irma. O ator Robert de Niro, o empresário britânico Richard Branson, e Pippa Middleton — irmã da duquesa de Cambridge, Kate Middleton — estão entre as estrelas e milionários que perderam imóveis no Caribe. O Paradise Found Nobu Resort, luxuoso complexo de hotéis de De Niro em Barbuda, foi totalmente destruído pelas fortes chuvas e ventos. De acordo com o governo local, 95% das propriedades da ilha, que tem 1,5 mil habitantes, foram devastadas pelo furacão. Agora, o ator espera conseguir ajuda das autoridades locais para reconstruir o patrimônio.

“Estamos muito tristes pela devastação provocada pelo furacão Irma em Barbuda. Esperamos poder trabalhar junto com o Conselho de Barbuda e toda a comunidade para reconstruir o que a natureza nos tomou”, disse em comunicado.

Em situação semelhante, Pippa Middleton também teve prejuízos. Seu marido, James Matthews, também é dono de um luxuoso resort na ilha de St. Barth.

Já Branson, fundador do grupo Virgin, pediu um plano Marshall para o Caribe, em referência ao plano de reconstrução da Europa após a Segunda Guerra Mundial. Ele compartilhou imagens da destruição de um resort de luxo em Necker Island, uma das Ilhas Virgens britânicas.

“Depois de compartilhar essas atualizações e conversar com vários governos, agências de ajuda e mídia, iremos direto para as Ilhas Virgens britânicas para continuar ajudando o esforço de recuperação no terreno”, escreveu no site oficial da empresa no domingo.

Os danos causados pelo Irma devem intensificar as exigências de países caribenhos por medidas contra mudanças climáticas — culpadas em parte pela forte tempestade — adotadas por alguns dos principais consumidores de combustíveis fósseis do mundo. Isso aumentará a tensão com os Estados Unidos e outros países ricos durante as negociações da Conferência do Clima da ONU em Bonn, Alemanha, em novembro.

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