WASHINGTON — O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, afirmou neste domingo que o governo “está avaliando” a possibilidade de fechamento da embaixada dos EUA em Havana, após misteriosos incidentes provocarem danos à saúde de diplomatas. Foram confirmadas 21 vítimas, sendo que algumas sofreram perda permanente de audição ou danos no cérebro.
— Se trata de um assunto muito sério pelos danos que alguns indivíduos sofreram — comentou Tillerson, em entrevista à emissora CBS. — Alguns deles foram repatriados.
A embaixada dos EUA em Havana foi reaberta em 2015, durante o governo do democrata Barack Obama, após meio século de ruptura das relações diplomáticas entre os dois países. A reaproximação foi um fato histórico, e negociada em segredo com apoio do Papa Francisco.
Desde o fim do ano passado, misteriosos incidentes afetaram ao menos 21 funcionários americanos da embaixada. Na maioria dos casos, as vítimas apresentaram sintomas físicos, principalmente perda de audição, tonturas e náuseas. Os responsáveis ainda não foram identificados.
A chancelaria americana classificou esses incidentes como “sem precedentes”, e advertiu o governo cubano, responsável pela segurança dos diplomata que trabalham na ilha.
A associação que representa os funcionários da diplomacia americana informou em comunicado que “os diagnósticos incluem ligeiras lesões cerebrais de origem traumática e perda permanente de audição, perda de equilíbrio, fortes enxaquecas, problemas cognitivos e edemas cerebrais”.
O Canadá também informou que um de seus diplomatas em Cuba sofreu perda de audição.
Mais de seis meses após o surgimento dos primeiros casos, investigadores ainda não descobriram as causas dos ferimentos. Entre as hipóteses levantadas estão um ataque sônico, uma arma eletromagnética, ou um dispositivo de espionagem defeituoso.
As suspeitas se concentraram no governo cubano, que nega, mas os investigadores também examinam a possibilidade de se tratar de uma facção rebelde dos serviços de inteligência cubanos, um terceiro governo, como a Rússia, ou uma combinação de ambos.
O mistério é maior porque os sintomas e as sensações percebidas variaram entre as vítimas. Alguns sofreram danos permanentes, como a perda de audição, enquanto outros sentiram apenas náuseas ou enxaquecas. Alguns sentiram vibrações e sons fortes que eram audíveis em apenas algumas partes dos recintos, outros não escutaram nada.
— Estes são sintomas muito pouco específicos, por isso é difícil saber o que está acontecendo — comentou o médico H. Jeffrey Kim, especialista em transtornos auditivos, à Associated Press.

