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EUA: Pence tenta tranquilizar europeus sobre aliança na Otan

BRUXELAS, LONDRES e NOVA YORK — O vice-presidente dos EUA, Mike Pence, embarcou para a Europa na sexta-feira com uma missão clara: reassegurar os aliados na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de que o presidente Donald Trump está comprometido em manter a histórica parceria. Ontem, ele mergulhou na tarefa, encontrando-se com a chefe de política externa da União Europeia (UE), Federica Mogherini; o chefe da Otan, Jens Stoltenberg; o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker; e o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk. Repetiu o discurso de cooperação, e recebeu elogios dos grandes nomes do comando do bloco. Mas, apesar das palavras e de um comportamento bastante diferente do apresentado pelo presidente, o ceticismo quanto ao futuro das relações entre Washington e a Europa parece permanecer forte no continente.

A viagem tornou-se necessária após uma campanha eleitoral na qual o republicano classificou a entidade como “obsoleta” e manteve um discurso populista apoiado no lema “EUA primeiro”.

— Quaisquer que sejam nossas diferenças, nossos dois continentes compartilham a mesma herança, os mesmos valores e, acima de tudo, o mesmo objetivo de promover a paz e a prosperidade por meio de liberdade, democracia e o império da lei — disse Pence em Bruxelas.

A mensagem do vice trouxe um questionamento que se propagou entre os presentes à conferência de segurança da qual participou em Munique: “Será ele um vice-presidente capaz e disposto a mergulhar nos detalhes políticos dos quais o presidente se afasta, ou apenas mais um grunhido no desgovernado exército de distrações de Trump?”, perguntou o “Washington Post”.

PROTESTOS NOS EUA E NO REINO UNIDO

Sua credibilidade junto aos líderes europeus ficou arranhada no sábado, quando — algumas horas depois de Pence exaltar as virtudes da Otan em Munique — Trump, na Flórida, voltou a criticar a entidade, e deu a entender que houvera um atentado na Suécia na véspera que, na verdade, não ocorrera.

— Todos devemos assumir nossa responsabilidade de utilizar os fatos corretamente, e verificar toda a informação que difundimos — criticou ontem o premier sueco, Stefan Löfven.

A desconfiança não se espalha só entre os líderes europeus, mas também em Washington. O senador democrata Chris Murphy questionou o que considerou a falta de sintonia entre Trump e a equipe:

“Parece que temos dois governos”, escreveu, no Twitter, o senador. “Pence fez um discurso sobre os valores compartilhados entre os EUA e a Europa e o presidente abertamente declarou guerra a esses valores. É por isso que o poder americano está encolhendo. O presidente diz uma coisa e sua equipe diz o oposto.”

Após a reunião com Pence em Bruxelas, Tusk destacou que “a Otan não é obsoleta, assim como seus valores também não são”, e afirmou contar com o apoio “total e inequívoco” dos EUA à ideia de uma Europa unida.

— Aconteceram muitas coisas no último mês em seu país e na UE para que se finja que tudo segue como sempre — afirmou o presidente do Conselho Europeu. — O vice-presidente concorda comigo em três assuntos-chave: a ordem internacional, a segurança e a atitude do novo governo em relação à UE. Então, americanos e europeus devem simplesmente praticar o que pregam.

Em Londres, parlamentares inciaram o debate sobre uma possível suspensão do convite a Trump para uma visita oficial, motivados por uma petição assinada por quase dois milhões de pessoas. Os deputados não têm o poder de cancelar a visita, mas o debate ainda assim foi intenso. Protestos contra Trump foram realizados do lado de fora do Parlamento e em várias cidades britânicas. Nos EUA, manifestantes foram às ruas em várias cidades no feriado do Dia dos Presidentes para repudiar o magnata na passagem do primeiro mês de sua chegada à Casa Branca.

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