WASHINGTON - O procurador-geral dos EUA, Jeff Sessions, anunciou ontem que o governo americano triplicou seus esforços para apurar vazamentos de dados confidenciais do governo. Isso ocorre num momento em que fica mais nítido que grande parte dos problemas que rondam o governo de Donald Trump só ficaram conhecidos ou foram potencializados por causa do vazamento de informações privilegiadas à imprensa. De acordo com Sessions, já há quatro pessoas indiciadas por estes vazamentos.
— Estamos assumindo uma posição — disse Sessions ontem, ao anunciar o novo esforço do governo. — Um número impressionante de vazamentos minam a capacidade do nosso governo de proteger este país. Essa cultura de vazamento deve parar.
A nova frente ocorre um dia após um vazamento que atingiu Trump em cheio: a divulgação das transcrições das conversas entre o mandatário americano e seus colegas da Austrália e do México, que ampliou a polêmica sobre o projeto do muro fronteiriço entre os países — quando Trump admitiu que a barreira em si era o ponto menos importante e tentou dar ordens ao presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, gerando novo desgaste na relação com um dos principais parceiros comerciais dos EUA.
Outros casos de vazamento, contudo, indicaram que Trump tentou pressionar o ex-diretor do FBI para barrar uma investigação sobre um conselheiro da Casa Branca. Em maio, os EUA provocaram um mal-estar com o Reino Unido quando detalhes das investigações conduzidas pelos próprios britânicos sobre a bomba utilizado no atentado em Manchester foram vazados. Londres ameaçou até suspender sua cooperação de Inteligência.
— De maneira direta, isso gera danos ao nosso país — disse o procurador-geral. — Respeitamos o papel importante que a imprensa desempenha e a respeitaremos, mas não é ilimitado.
Os vazamentos pioraram o clima entre o governo e a imprensa. Trump, que chegou a dizer que os jornais eram inimigos do povo americano, rebate informações em sua conta de Twitter classificando-as como “notícias falsas”, embora algumas delas, com o tempo, acabem confirmadas. Fontes da Casa Branca acusam servidores ligados ao governo passado de serem fontes da imprensa, tentando desestabilizar Trump. Os EUA protegem o trabalho da imprensa e, assim, o governo tem de tentar controlar a origem da informação, e não sua publicação.

