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Exército de Mianmar é acusado de instalar minas

Naypyidaw — Um dia depois do anúncio de uma trégua unilateral de um mês, decretado pelo grupo Exército de Salvação Rohingya de Arakan (Esra), o Exército de Mianmar foi acusado de plantar minas terrestres no caminho dos cerca de 300 mil rohingyas que fugiram para Bangladesh após ataques no estado de Rakhine. A Anistia Internacional informou que pelo menos duas pessoas foram feridas no domingo, e a agência Associated Press confirmou ter visto uma idosa com ferimentos graves nas pernas, causados por explosões.

Autoridades de Bangladesh e funcionários da ONG acreditam que os explosivos foram plantados recentemente. Na semana passada, pelo menos três pessoas, incluindo duas crianças, ficaram feridas.

— Podem não ser minas terrestres, mas sei que houve casos isolados de soldados que plantaram explosivos há três ou quatro dias — afirmou na sexta-feira Ariful Islam, comandante fronteiriço de Bangladesh em Teknaf.

Os rebeldes, que são considerados apátridas pelo governo de Mianmar, declararam na noite de sábado uma trégua unilateral até o dia 9 de outubro. Em comunicado, Esra explicou que o objetivo é permitir a entrada das operações humanitárias na região e pediu ao governo que respeite a trégua. A primeira resposta, no entanto, não foi positiva.

— Não negociamos com terroristas — rebateu Zaw Htay, conselheiro do governo.

chanceler fala em genocídio

Na nota, o grupo pediu a “todos os atores humanitários” que retomem a ajuda para “as vítimas desta crise humanitária, sem importar a origem étnica ou religião” durante o cessar-fogo. Desde o início dos incidentes, a região está isolada e jornalistas e organizações internacionais não têm acesso à zona da violência. Em um acampamento perto de Shamlapur, em Bangladesh, os refugiados, no entanto, duvidam que o cessar-fogo possibilite o retorno para suas casas. Muitos contam que perderam tudo, depois que vilarejos foram totalmente destruídos.

Endurecendo o discurso, o ministro das Relações Exteriores de Bangladesh, A.H. Mahmood Ali, denunciou neste domingo um “genocídio” em Rakhine.

— A comunidade internacional está dizendo que é um genocídio. Nós também afirmamos que é um genocídio — afirmou Mahmood Ali em Dacca.

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