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Mais de 65% dos mortos em protestos na Venezuela tem menos de 30 anos

CARACAS - A Procuradoria Geral da Venezuela confirmou nesta sexta-feira que o número de mortos nos mais de três meses e meio de protestos no país chegou a 100 devido à violenta repressão do governo. Além de impressionante, o dado traz um retrato das camadas sociais que estão à frente em termos de adesão às manifestações: os jovens. Entre as vítimas fatais registradas até agora, mais de 65% têm menos de 30, o que mostra a proeminência da juventude na ocupação das ruas pelo país contra o presidente Nicolás Maduro e a proposta de redesenhar a Constituição com a convocação de uma Assembleia Constituinte para o próximo dia 30 de julho.

Foram 94 homens e 6 mulheres mortos nesse período de violência. Em um mapeamento das vítimas, 67 delas têm menos de 30 anos: 18 ainda nem completaram 20 anos, enquanto 49 estão na faixa entre 20 e 29 anos de idade. De 30 a 39 anos, foram 17 mortos; de 40 a 49 anos, 12. Já os mortos acima de 50 anos totalizam, até agora, 4 pessoas.

A oposição venezuelana tem contado com o apoio dos jovens para pressionar o governo. Entre os ícones dos protestos opositores, há líderes como Miguel Pizarro, de 29 anos, que integra a Mesa de Unidade Democrática (MUD), a principal força crítica contra Maduro.

Por trás de tanta insatisfação, os jovens se inspiram em movimentos mundiais e importam estratégias e táticas de defesa. O documentário “Winter on fire” tem sido discutido em universidades venezuelanas, públicas e privadas, provocando grande impacto entre os estudantes. O filme retrata o exemplo da Ucrânia, que passa por conflitos com a Rússia na disputada região da Crimeia. Lá, a juventude também assumiu papel de liderança na pressão contra o governo russo.

Assim como na Ucrânia, manifestantes na Venezuela passaram a usar escudos improvisados para se defender da repressão policial nos protestos. Placas de madeira e aço, barris de plástico e metal, e até mesmo partes de antenas parabólicas e tampas de bueiros se proliferaram pelas manifestações, quase sempre trazendo as cores da bandeira nacional, ou mensagens contra o governo.

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