LONDRES — O príncipe Harry e sua noiva, Meghan Markle, planejaram um casamento que pudesse ser acompanhado de perto pelo povo. Enviaram cerca de dois mil convites a pessoas comuns, que não poderão entrar na Capela de São Jorge, mas terão o privilégio de esperar os noivos nos jardins do Castelo de Windsor. Não há nada de simples, no entanto, numa festa que envolve a presença da rainha e todos os seus herdeiros, de celebridades, de equipes de TV do mundo inteiro e de cem mil pessoas nas ruas apertadas de uma cidade pequena. O esquema de segurança é uma operação sem precedentes para a polícia da região, num momento em que o país permanece em estado de alerta devido à série de atentados terroristas que mataram 36 pessoas no ano passado.
Um ensaio do casamento realizado ontem, com a participação de 250 membros das Forças Armadas, mostrou a complexidade da operação. As ruas em torno do castelo já foram fechadas e estão cercadas de barreiras de concreto. Quando Harry e Meghan trocarem alianças amanhã, Windsor estará sob bloqueio. A cerimônia está marcada para as 12h (horário local). Os trens rumo à cidade começam a sair de diferentes pontos do país a partir das 4h. Às 9h, se a polícia considerar que não há mais como garantir a segurança da multidão, os trens poderão ser impedidos de parar em Windsor. Quem conseguir chegar terá de atravessar detectores de metal para alcançar o centro histórico, por onde os noivos vão passar de carruagem, num trajeto de 25 minutos.
Os carros que vão procurar os estacionamentos fora da área cercada terão a placa rastreada. Latas de lixo foram retiradas e a vigilância das ruas é feita por homens armados de fuzis, uma imagem pouco comum nas ruas inglesas. Drones foram banidos, e uma área de exclusão aérea foi decretada. O número de policiais não foi confirmado, mas deve ficar próximo aos cinco mil oficiais que estavam a postos em Londres para o casamento do príncipe William com Kate Middleton, em 2011.
As forças de segurança garantem que não há nenhuma ameaça terrorista a Windsor. Mas o estado de alerta antiterror no Reino Unido permanece no nível “severo”, o que significa que um ataque é altamente provável.
— As pessoas estarão cientes das atrocidades ocorridas no Reino Unido no ano passado e nos últimos 18 meses na Europa. Isso está na memória de todos. Temos capacidade, com os policiais certos nos lugares certos, de lidar com todas as eventualidades — declarou esta semana o comandante responsável pela operação de segurança do casamento, Jim Weems.
A conta da segurança é um dos pontos controversos do casamento, que em geral é aguardado com expectativa e alegria pela população. Calcula-se que o evento custará cerca de 32 milhões de libras (R$ 160 milhões), embora a cifra não seja confirmada pelo Palácio de Buckingham, responsável por todas as despesas relativas à cerimônia em si. Os gastos com segurança e limpeza das ruas, que poderiam chegar a 30 milhões de libras, ficam por conta dos contribuintes. O cálculo deu munição aos republicanos, que organizaram uma petição, assinada por 32 mil pessoas, para que a realeza pague a conta.
— Se a família real não quer pagar uma conta alta com a segurança, poderia ter feito um casamento privado em Sandringham ou Balmoral — disse à BBC um dos líderes do movimento republicano, Graham Smith, citando duas outras das residências oficiais de Elizabeth II.
No dia 29 de abril de 2011 um milhão de pessoas tomaram as ruas de Londres para saudar William e Kate, numa das mais impressionantes demonstrações de apoio à monarquia nas últimas décadas. Na época, os gastos com a segurança chegaram, de acordo com os cálculos da imprensa britânica, a sete milhões de libras (R$ 35 milhões). Nos últimos sete anos, no entanto, o perigo terrorista cresceu, e os desafios ficaram bem mais complexos, como a ameaça de motoristas suicidas que avançam contra pedestres. Londres sofreu três atentados assim no ano passado, entre eles um em frente ao Parlamento, que matou cinco pessoas.
A polícia de Windsor também se preparou para reprimir qualquer brincadeira que possa representar algum perigo, como aconteceu em 2003, quando um homem conseguiu passar pela segurança do Castelo de Windsor com um vestido cor de rosa e uma barba de Osama bin Laden. Ele disse que queria apenas dar um beijo no príncipe William, anfitrião de uma festa para comemorar seus 21 anos.

