ABUJA — Uma das 270 estudantes nigerianas sequestradas pelo Boko Haram não quis ser libertada após três anos de cativeiro. Em abril de 2014, o grupo raptou as meninas numa escola de Chibok, numa história trágica que repercutiu pelo mundo. Segundo o governo da Nigéria, que conseguiu negociar a libertação de 82 meninas no último sábado com os extremistas, a jovem declarou que estava casada e bem.
“Estou bem onde estou. Estou casada”, respondeu a menina, de acordo com o governo.
Foram várias semanas de conversas entre o governo e o Boko Haram até que as meninas de Chibok foram libertadas no fim de semana. Nunca tantas delas haviam sido libertadas de uma só vez — 21 já haviam deixado o cativeiro em outubro do ano passado, três foram achadas pelo Exército e 57 conseguiram escapar.
O Boko Haram sequestrou mais de 270 estudantes de uma escola em Chibok em abril de 2014 — um ato que provocou comoção no mundo todo e uma campanha pela libertação das meninas, com o apoio da ex-primeira-dama dos EUA, Michelle Obama. Não havia sinal do seu paradeiro até maio de 2016, quando uma delas foi encontrada com um bebê. Em seguida, alguns meses depois, mais de 20 meninas foram libertadas e reencontraram suas famílias.
Desde que foram levadas, os parentes das vítima iniciaram uma campanha em apelo pela volta das jovens meninas com o lema "Bring Back Our Girls" ("Tragam de volta nossas meninas", em português). Os últimos resgates aumentam as esperanças das famílias que ainda aguardam pelo dia em que poderão rever suas filhas.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) explica que . A agência da ONU defende que é importante que continue a pressão para que sejam soltas todas as mulheres e crianças sequestradas pelo Boko Haram. Enquanto isso, as Nações Unidas pedem que as comunidades nigerianas que não rejeitem as ex-reféns:
"Fazemos um apelo a todos os nigerianos, incluindo as famílias e as comunidades locais das jovens libertadas, para que as integrem completamente e lhes proporcionem o apoio necessário para assegurar sua reintegração na sociedade", disse o porta-voz da ONU, Stephane Dujarric.
O grupo militante islâmico também sequestrou milhares de outras pessoas durante a sua insurgência de sete anos no Nordeste da Nigéria. Mais de 15 mil pessoas foram mortas e dois milhões foram forçadas a deixar as suas casas. No ano passado, a organização jihadista prometeu lealdade ao Estado Islâmico (EI).

