BOGOTÁ — Dezenas de crianças estão entre os mortos nos deslizamentos de terra que ocorreram no fim de semana no Sudeste da Colômbia. Segundo o presidente do país, Juan Manuel Santos, pelo menos 44 menores de idade foram vítimas fatais da tragédia. O total de mortos está em 254 pessoas, com mais de 170 mortos identificados e centenas de feridos. O número de desaparecidos ainda é indefinido.
— Até que tenhamos o último desaparecido identificado, não iremos parar — disse o presidente, que sobrevoou a área neste sábado, logo após o desastre.
Na manhã desta segunda-feira, em um vídeo divulgado pela rede BBC, uma mulher disse que estava à procura de duas filhas e uma neta:
— Mesmo que estejam vivas ou mortas, eu só quero encontrá-las.
Moradores choraram sobre uma lista com os nomes de crianças desaparecidas.
— Nós perdemos uma criança, que está desaparecida — uma moradora disse — Um pequeno bebê, não conseguimos achá-lo em lugar nenhum.
Neste sábado, uma tempestade tomou a cidade de Mocoa. Lama e pedras destruíram bairros completos, obrigando os moradores a deixarem suas casas. O governo colombiano decretou estado de calamidade. Mais de mil soldados e policiais estão mobilizados na busca por desaparecidos e oferecendo ajuda à província de Putamayo.
As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), guerrilha armada que recentemente assinou um acordo de paz com o governo, se disponibilizou para a ajudar a reconstruir a cidade. No entanto, o envolvimento do grupo nos trabalhos de resgate em Mocoa tem que ser aprovado pelo presidente.
Os rios Mocoa, Mulato e Sancoyaco transbordaram e muita terra foi arrastada até o centro de Mocoa, que fica perto da fronteira com o Equador e Peru. Pontes e estradas ficaram destruídas.
Dezessete bairros foram afetados. Apenas com o nascer do dia as autoridades puderam ver a amplitude dos estragos. “Mocoa é uma capital desolada, sem água, sem luz, sem gás”, diz o jornal “El Tiempo”.

