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Opositores e polícia entram em choque em protestos na Venezuela

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CARACAS — Forças de segurança venezuelanas entraram novamente em choque com opositores que tentavam chegar ao centro de Caracas, durante protestos contra a Assembleia Nacional Constituinte convocada pelo presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Os manifestantes, muitos deles encapuzados, responderam com pedras e outros objetos em confrontos que se registram em vários pontos do Leste de Caracas. Por causa da marcha, 31 estações de metrô estão fechadas.

Em outras regiões do país também foram convocadas marchas, como nos estados de Mérida e Zulia, no Oeste. A onda de protestos já deixou quase 40 mortos e centenas de feridos e detidos, desde que se iniciou há mais de um mês, sem que os opositores tenham conseguido chegar ao centro de Caracas, sendo sempre dispersados pela polícia.

— A oposição não vai marchar até o centro de Caracas, não vai destruí-lo, aqui é zona de paz — declarou Diosdado Cabello, um dos principais dirigentes chavistas, durante uma manifestação de partidários de Maduro convocada para neutralizar a marcha opositores.

Sob o lema “O povo diz não à ditadura”, a coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD) convocou seus simpatizantes para expor a razão pelas quais discordam da Constituinte ao ministro da Educação, Elías Jaua, que dirige a comissão presidencial que a impulsiona. A MUD considera processo constituinte uma farsa e questiona a proposta de Maduro de eleger a metade dos 500 componentes que reformarão a Constituição por votação de setores, que eles asseguram que são controlados pelo governo, enquanto somente a outra metade será escolhida em eleições municipais.

De acordo com seus adversários, Maduro pretender evitar a exigência de eleições gerais e fazer uma Constituição para se perpetuar no poder. Por sua vez, o governo pediu que a oposição reflita sobre sua decisão de não apoiar o processo:

— Fazemos um chamado à MUD pela paz em nosso país, que reflita. O caminho é o diálogo, a criminalização do diálogo é o desconhecimento de uma parte e isso é barbárie — declarou Elías Jaua. — As portas estão abertas para que todas as organizações políticas venham escutar as razões para a convocação da Assembleia Constituinte.

A proposta de Assembleia Constituinte, convocada há duas semanas por Maduro, também provocou condenação internacional. Apesar da decisão da Venezuela de deixar a Organização dos Estados Americanos (OEA), o corpo mantém para 22 de maio uma reunião para discutir a crise.

— Perdi meu marido porque não conseguimos medicamentos. Não há remédio, não há comida. Isso não pode continuar assim — afirmou Isabel Morales, de 68 anos, que se uniu à marcha no bairro de Catia, no Oeste de Caracas.

Os protestos ocorrem em meio a um descontentamento popular pelo colapso econômico que gera uma severa escassez de alimentos e remédios, além da inflação mais alta do mundo, que chegaria a 720% em 2017, segundo o FMI. Mais de 70% dos venezuelanos, segundo pesquisas, rechaçam a gestão de Maduro, cujo mandato acaba em janeiro de 2019.

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