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Pais temem que filhos vão a adoção nos EUA, diz chefe de ONG pró-migrantes

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RIO - Diretora-executiva da ONG Esperanza, que usa advogados e serviços legais para ajudar na naturalização de imigrantes nos EUA, Mary Clark explica o drama das milhões de famílias de imigrantes que as novas políticas do governo Donald Trump pode separar. Segundo ela, a mira já “não está apenas nos que têm ficha criminal”.

A maior consequência seria um grande número de indivíduos sendo deportados pelas novas diretrizes. Mas a grande diferença é que as prioridades mudaram para as deportações. Agora, a mira não está apenas nos que têm ficha criminal. Mães e pais de cidadãos americanos que vivem aqui há muitos anos, sem terem cometido crimes, também são alvo.

Há muito medo de que as famílias sejam separadas. Segundo o Pew Research Center, são cerca de nove milhões de pessoas em famílias misturadas: alguns são imigrantes legais, outros, cidadãos americanos, e outros indocumentados. O maior receio é das mães solteiras. Os pais temem que seus filhos vão a adoção no sistema de assistência social, caso sejam deportados. Ouvimos muitos que pedem ajuda para planejar o cuidado para os filhos neste cenário. Em 2010, havia 4,5 milhões de crianças nascidas nos Estados Unidos com pais em situação ilegal. E também há as pessoas que têm medo porque já receberam a ordem de deportação ou acham que podem recebê-la em breve, e esta é a prioridade para o controle migratório.

Distribuímos folhetos para que os imigrantes conheçam os seus direitos. Eles têm direitos, não importa qual seja seu status de imigrante ou quem seja o presidente. São direitos constitucionais, que não podem ser mudados rápido. Um deles é o direito de ficar em silêncio e não responder às perguntas dos agentes. E eles podem pedir que as autoridades apresentem um mandado antes de entrarem em suas casas.

Sempre muitas pessoas nos procuraram, mas agora mudou o que elas buscam. Antes, elas pediam assistência, sobretudo, para conseguir a cidadania americana. Agora, querem mais informações e ajuda para planejamento familiar. Há muitas pessoas que não querem sair de casa. Entendemos o medo de quem vive sem documentos, mas pedimos que mantenham a calma e se eduquem para fazer escolhas inteligentes. Ouvimos também as histórias de quem cogita se mudar para o seu país de origem. Mas muitos têm medo, e voltar não é um opção para todos os imigrantes. E há quem pense em ir para o Canadá. Mas quem tem família aqui tem uma razão para ficar. Especialmente, por exemplo, pessoas cujos filhos têm necessidades especiais ou quem só quer manter a família unida.

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