TEL AVIV — Fontes da polícia israelense afirmam que as autoridades já têm evidências suficientes para acusar nas próximas semanas o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que poderia ser indiciado por suborno, fraude e quebra de confiança. Segundo a emissora Channel 10, o premier teria aceitado presentes de milhares de dólares de empresários ricos. Netanyahu ainda está envolvido em outros três inquéritos, que há meses são investigados.
Netanyahu e sua mulher, Sara, são suspeitos de pedir e receber grande quantidades de joias, cigarros e bebidas alcoólicas, por um longo período, de pessoas como o produtor de Hollywood Arnon Milchan, no que foi apelidado de Caso 1.000. Um bilionário australiano também teria pagado a estada do filho do premier, Yair, num hotel em Nova York durante a Assembleia Geral da ONU, além de dar à primeira-dama dez ingressos para um show da cantora americana Mariah Carey.
Na semana passada, Netanyahu foi questionado pela quinta vez pelo Caso 1.000, assim como pelo Caso 2.000, no qual o premier é investigado por oferecer favores ao dono do jornal “Yedioth Ahronoth” em troca de cobertura positiva.
Segundo o centro de estudos Eurasia Group, o possível indiciamento de Netanyahu levaria a eleições antecipadas no segundo semestre do próximo ano. Analistas do grupo acreditam, ainda, que o próprio premier poderia se antecipar à decisão do procurador-geral Avi Mandelbit e convocar o pleito, numa tentativa de polarizar a opinião pública e assegurar um novo mandato, restringindo o Judiciário. Apoiadores do primeiro-ministro já tentaram aprovar uma série de leis controversas para limitar os poderes do procurador-geral e conter a repercussão das investigações.

