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Proximidade de colheita pressiona preços do café no Brasil, diz Cepea

Reuters

SÃO PAULO, 7 Abr (Reuters) - Os preços do café no atacado brasileiro estão sendo pressionados pela proximidade do início de uma colheita que promete ser recorde no Brasil, apontou nesta terça-feira uma análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

"A proximidade da colheita de café já vem influenciando os preços do grão, mesmo que as atividades só se intensifiquem a partir de meados de maio", afirmou o centro de estudos da Esalq/USP. 

Uma safra recorde no Brasil, superior a 75 milhões de sacas de 60 kg, deve colaborar com uma recuperação de estoques globais, resultando em um superávit de 10 milhões de sacas em 2026, previu na véspera a consultoria StoneX. 

O café canéfora (conilon e robusta), que já tem algumas lavouras sendo colhidas em abril no país, registrou uma pressão "mais significativa às cotações no mercado interno", afirmou o Cepea.

O indicador Cepea/Esalq para grãos tipo 6, peneira 13 acima, a retirar no Espírito Santo, já recuou 4,54% em apenas três dias úteis de abril, fechando a R$921,86/saca de 60 kg na segunda-feira.

Os grãos canéforas tipo 7/8 têm recebido várias ofertas abaixo desse patamar de R$900/saca.

"Nesse cenário, a liquidez no mercado do robusta está bastante lenta há algumas semanas, com produtores vendendo café apenas para liquidar compromissos de curto prazo e realizar alguns planejamentos para a colheita", afirmou o Cepea.

Como os últimos anos foram de "boa produção e de preços elevados", os produtores da variedade têm, de forma geral, conseguido manter boas condições de caixa e investimento, reduzindo a necessidade de vendas.

O Cepea afirmou também que as cotações do café arábica, variedade que responde pela maior parte da produção brasileira, vêm recuando praticamente todos os dias desde 25 de março, com exceção de segunda-feira, quando foi verificada uma "reação pontual" no mercado interno.

"Vale ressaltar que algumas lavouras mais precoces de arábica já podem ter grãos maduros para serem colhidos no começo de maio, especialmente nas áreas irrigadas em São Paulo", disse o Cepea.

De 25 de março, quando os valores começaram a recuar, a 6 de abril, a queda acumulada foi de mais de R$90 por saca, para R$1.885,21/saca, para grãos arábica tipo 6, bebida dura para melhor, posto na capital paulista.  

Na bolsa de Nova York, nesta terça-feira, o café arábica operava em baixa de 4%, para US$2,86/libra-peso.

(Por Roberto Samora; edição de Marta Nogueira)

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