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Republicanos ‘escondem’ juiz de Trump durante eleição nos EUA

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WASHINGTON — Ao concordar em atrasar a nomeação do juiz Brett Kavanaugh, o presidente Donald Trump e os senadores republicanos estão fazendo duas apostas de longo prazo: que uma batalha de confirmação garantirá uma maioria conservadora à Suprema Corte e também lhes dará mais chances de manter o controle do Senado nas eleições de meio de mandato.

Líderes republicanos estão fazendo concessões políticas porque concluíram que apoiar a indicação de Kavanaugh, alvo de acusações de assédio sexual, pode comprometer a imagem do partido entre mulheres e eleitores independentes e acirrar a disputa por vagas no Senado em diversos estados. Dirigentes da legenda concordaram relutantes com a abertura de uma investigação do FBI contra o juiz, mas, a portas fechadas, estão determinados a confirmar sua nomeação à Suprema Corte.

Na quinta-feira, após o depoimento da psicóloga Christine Blasey Ford, uma das supostas vítimas de Kavanaugh, os republicanos — particularmente o líder do partido na Casa, Mitch McConnell — parecem apostar que a polêmica se espelhará no eleitorado até o pleito, em novembro, pondo em risco a maioria da legenda no Senado. Hoje, 51 dos 100 senadores são republicanos.

MUDANÇA DE CENÁRIO

A decisão dos senadores republicanos de insistir na controversa indicação de Kavanaugh remete a outro momento em que a consciência, o sexo e a política se cruzaram. Dois anos atrás, muitos congressistas consideraram abandonar a candidatura de Trump após ele se gabar de usar a fama para investidas em mulheres. Os eleitores, no entanto, continuaram ao lado do republicano e recusaram-se a entregar a Presidência e, consequentemente, o controle da Suprema Corte a Hillary Clinton.

Para estrategistas republicanos, McConnell e outros senadores tiveram pouca escolha desta vez porque a decisão de afastar-se de Kavanaugh abalaria as estruturas do partido.

— Ele entendeu imediatamente que, se não estivermos dispostos a enfrentar a multidão progressista, muitos republicanos perguntariam: “Por que estou votando nesse partido?” — explica Scott Jennings, conselheiro de McConnell.

Para Chris Jankowski, assessor da Rede de Crise Judicial, o principal grupo que defende a confirmação de Kavanaugh, o depoimento do juiz no Senado, na última quinta-feira, uniu eleitores de estados comandados por republicanos. Por isso, os congressistas locais que se manifestarem contra o indicado à Suprema Corte poderão pagar caro por isso.

— Nenhum senador republicano pode esperar concorrer à reeleição sem ter votado em Kavanaugh — disse Jankowski, que, no entanto, reconhece que a batalha pela indicação do magistrado impactará na eleição de outros cargos. — Isso obviamente não se restringirá ao Senado. Onde houver uma onda democrata, ela poderá ficar ainda maior.

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