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Saúde e leis trabalhistas travam acordo de coalizão para Merkel

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BERLIM - O cenário político na Alemanha permanece paralisado enquanto a União Democrata-Cristã (CDU), partido conservador da chanceler federal Angela Markel, enfrenta dificuldades para renovar um acordo de coalizão com o Partido Social-Democrata (SPD). Os dois partidos chegaram ao fim do prazo estabelecido para um acordo, ontem, sem conclusão. Diante da indefinição, decidiram estender os debates até, no máximo, amanhã. Ainda que avanços tenham sido alcançados durante a semana passada, os dois principais pontos pendentes são as leis trabalhistas e a saúde pública.

Mais de quatro meses após a eleição nacional, o impasse político na maior economia da Europa causa preocupação a investidores e parceiros da União Europeia (UE), já que as questões internas na Alemanha podem adiar as negociações-chave, como a reforma da zona do euro e a saída do Reino Unido do bloco.

Se Merkel fracassar em firmar um pacto, deverá iniciar seu quarto mandato com um instável governo minoritário ou aceitar a realização de novas eleições, correndo o risco de perder ainda mais espaço para a extrema-direita. No pleito do ano passado, os radicais do Alternativa para Alemanha (AfD) obtiveram 13% dos votos, conseguindo entrar pela primeira vez no Parlamento federal.

O SPD, que recebeu apenas 20,5% dos votos nas legislativas e está em queda nas pesquisas desde então, está dividido. Muitos no partido querem que seu líder, Martin Schulz, respeite sua promessa de uma virada à esquerda e não ceda demais aos conservadores da CDU.

A chanceler não está, portanto, numa posição confortável. Parte de seus aliados conservadores pede um posicionamento mais à direita para frear a extrema-direita, enquanto há a necessidade de um compromisso com os social-democratas, sob pressão da sua ala à esquerda. Antes da reunião de ontem, Merkel reconheceu a dificuldade do processo:

— Ainda não é possível dizer quanto tempo vai levar. Estabelecemos boas bases hoje (ontem), mas ainda há questões importantes que precisam ser resolvidas — disse a chanceler, no cargo há 12 anos, na sede do SPD. — Vou negociar com boa vontade, mas também acredito que vamos enfrentar negociações difíceis.

Schulz disse que os partidos convergiram em relação a muitos problemas nos últimos dias, mas continuam em desacordo nesses dois assuntos. No campo da saúde, os conservadores têm relutado em aceitar a ideia do SPD de substituir o sistema de saúde duplo público-privado da Alemanha por um sistema de assistência para todos. Entre as propostas está mudar as regras de cobrança para médicos, que recebem mais ao tratar pacientes privados.

Já nas questões trabalhistas, a CDU não quer abolir contratos de prazo fixo de trabalhadores, mas ofereceu evitar a repetida renovação desses contratos como um compromisso.

— Teremos que negociar muito, muito intensamente sobre essas questões, e acho que os acordos são possíveis, mas ainda não foram alcançados — reconheceu Schulz. — Em último caso, é preciso tomar o tempo necessário para criar uma fundamentação para um governo estável.

As políticas nesses dois temas são cruciais para o SPD, cujos 443 mil membros terão a chance de vetar qualquer acordo final da coalizão. Muitos deles se opõem a formar outra coalizão complicada com Merkel depois que seu partido sofreu o pior resultado do pós-guerra nas eleições de setembro. O líder da ala jovem, Kevin Kuhnert, encabeça a campanha dentro do partido para rejeitar um novo acordo.

Ainda assim, nas negociações de ontem, os dois partidos, que governam juntos a Alemanha desde 2013, decidiram investir mais de € 2 bilhões em habitação até 2021, até € 12 bilhões na expansão de rede banda larga, e € 33 bilhões em cidades para vários projetos, sobretudo assistência à infância. Na semana passada, também foram decididas questões sobre migração, energia e agricultura.

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