Por Joshua McElwee
CIDADE DO VATICANO, 3 Mai (Reuters) - O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, deve viajar para a Itália nesta semana para se reunir com o papa Leão 14, disse uma fonte do Vaticano neste domingo, após os ataques do presidente Donald Trump contra o pontífice católico atraírem críticas de todo o espectro político.
A reunião, que será o primeiro encontro pessoal conhecido entre Leão e uma autoridade do gabinete dos EUA em quase um ano, deve ocorrer na quinta-feira, conforme uma fonte sênior familiarizada com os planos do papa, que pediu para não ser identificada porque não estava autorizada a falar sobre o assunto.
O papa, que assumiu um novo estilo vigoroso de falar, surgiu nas últimas semanas como um crítico declarado da guerra liderada por EUA e Israel contra o Irã, depois de criticar anteriormente as políticas anti-imigração de linha dura do governo Trump.
Por sua vez, Trump criticou duramente Leão nas mídias sociais várias vezes em abril, chegando a chamar o pontífice de "terrível", em ataques que chamaram muita atenção enquanto Leão estava em uma viagem a quatro nações da África.
Rubio se encontrou pela última vez com Leão, o primeiro papa dos EUA, em maio de 2025, ao lado do vice-presidente JD Vance. As duas autoridades norte-mericanas participaram da missa inaugural do novo papa na Praça de São Pedro e tiveram uma reunião privada com ele no dia seguinte.
Leão 14 completa seu primeiro ano como papa na sexta-feira.
Os diários nacionais italianos La Repubblica e Corriere della Sera informaram anteriormente, neste domingo, que Rubio iria à Itália esta semana para reuniões, incluindo uma com o principal funcionário diplomático do Vaticano, Pietro Parolin. Mas os jornais não disseram se ele se encontraria com Leão.
O Departamento de Estado dos EUA, a assessoria de imprensa do Vaticano e um porta-voz do governo italiano não responderam imediatamente às perguntas sobre as reportagens.
Rubio também deve conversar com os ministros das Relações Exteriores e da Defesa da Itália, informaram os jornais italianos, acrescentando que a viagem tem o objetivo de aliviar as tensões entre os dois países após críticas contundentes de Trump à primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, no mês passado. Meloni é uma das aliadas europeias mais próximas de Trump.
Ainda não se sabe se Rubio também se encontrará com Meloni.
A viagem acontece dias após o Pentágono anunciar a retirada de 5.000 soldados norte-americanos da Alemanha, sua maior base europeia. Uma divisão sobre a guerra do Irã e as tensões tarifárias colocaram ainda mais pressão sobre as relações entre EUA e Europa.
A Itália está entre os países europeus com a maior presença de tropas dos EUA, com quase 13.000 soldados na ativa no final de 2025, em seis bases.
(Reportagem de Joshua McElwee e Giulia Segreti)



