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Taxas dos DIs viram para o negativo após rendimentos dos Treasuries despencarem

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 19 Mar (Reuters) - Após avançarem durante a maior parte do dia, as taxas dos DIs viraram para o negativo no meio da tarde desta quinta-feira, acompanhando a forte queda dos rendimentos dos Treasuries e o recuo dos preços do petróleo.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2027 estava em 14,045%, com queda de 8 pontos-base ante o ajuste de 14,128% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,85%, com baixa 4 pontos-base ante 13,889%.

No meio da tarde, os rendimentos dos Treasuries, que até então registravam fortes altas, despencaram, passando a registrar elevações mais comedidas entre os títulos curtos e baixas entre os longos, em paralelo à virada do barril de petróleo Brent para o negativo.

No Brasil, isso também se traduziu na virada das taxas dos DIs para o território negativo, em toda a curva a termo, que até então vinha sustentando ganhos na esteira das decisões dos bancos centrais sobre juros na quarta e nesta quinta-feira.

Após atingir a máxima de 14,215% (+33 pontos-base) às 9h28, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcou a mínima de 13,795% (-9 pontos-base) às 16h08, em meio à forte retração dos rendimentos dos Treasuries.

No noticiário ligado à guerra no Oriente Médio, destaque para a nova licença geral dos EUA que permite a entrega e venda de petróleo bruto e derivados de petróleo de origem russa carregados em navios-tanque a partir de 12 de março.

Durante a maior parte do dia, no entanto, os rendimentos dos Treasuries operaram em meio à cautela dos investidores em relação à política monetária dos países em função da disparada recente do petróleo.

O Banco da Inglaterra (BOE) manteve por unanimidade nesta quinta-feira sua taxa de juros em 3,75%, enquanto economistas consultados pela Reuters previam uma votação dividida pela manutenção.

Já o Banco Central Europeu (BCE) manteve sua taxa em 2%, e fontes da instituição disseram à Reuters que é possível um aumento de juros em junho, a menos que a guerra de EUA e Israel contra o Irã seja resolvida rapidamente.

A cautela decorrente das decisões do BOE e do BCE se espalhou pelo mercado de títulos norte-americano, com investidores reduzindo as apostas de que o Fed cortará juros ainda este ano. Na tarde de quarta-feira, o Federal Reserve já havia anunciado a manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75%, como esperado, mas adotou um discurso cauteloso em relação ao futuro da política monetária.

No Brasil, investidores também ponderavam a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que cortou a Selic em 25 pontos-base, para 14,75%, e disse estar dando início a um ciclo de "calibração" da política monetária. Ao mesmo tempo, o colegiado destacou o "forte aumento da incerteza" e o "distanciamento adicional" das projeções de inflação em relação à meta.

“O BC não se comprometeu com mais cortes, mas fala em ‘calibração’. E o próximo passo vai depender da evolução do cenário internacional”, avaliou o economista-chefe do Bmg, Flavio Serrano.

“No cenário de hoje, parece mais provável um corte de 25 pontos-base na reunião de abril, mas nós ainda temos um cenário de corte de 50 pontos-base, porque há muito tempo até lá. Existe ainda uma probabilidade de o BC parar de cortar, porque estamos falando de uma guerra, mas isso não parece ser uma opção”, acrescentou.

O Copom se reúne novamente nos dias 28 e 29 de abril para decidir sobre a Selic.

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