LONDRES - Nem conservadores, nem trabalhistas. A menos de uma semana para as eleições antecipadas no Reino Unido, a revista britânica “The Economist” anunciou nesta sexta-feira que vai publicar na edição de amanhã seu apoio aos Democratas Liberais na disputa, apesar dos “defeitos” do partido, como a própria publicação diz. Essa é a melhor opção para escolher o que chama de um “meio-termo” no país e um “partido aberto, centrista e favorável ao livre mercado”, necessário à política britânica, de acordo com a revista.
A “Economist” afirma que os dois candidatos à frente do pleito, Theresa May, primeira-ministra britânica do Partido Conservador, e Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista, têm posicionamentos e estilos bem diferentes, mas são “unidos pelo desejo de isolar a Grã-Bretanha do mundo”.
A revista afirma que May é melhor de Corbyn, mas sua determinação em acabar com a imigração e interferir na economia “se distancia de 40 anos de abertura nos negócios, investimentos e pessoas”, afastando-se assim do partido tal como era na época da ex-primeira-ministra Margaret Thatcher. Já o Partido Trabalhista, sob liderança de Corbyn, “caminha para trás”, aponta a “Economist”.
"É uma escolha difícil para esta publicação, que vê poucos sinais dos nossos valores liberais clássicos de livre mercado em ambos os principais partidos", escreveu a The Economist. "O Brexit será menos danoso se visto como um acolhimento do mundo como um todo, não apenas uma rejeição à Europa. Queremos um governo que mantenha laços fortes com a UE ao mesmo tempo em que honra o referendo, e que use o Brexit como forma de reafirmar a liberdade dos mercados e da sociedade britânicos, a melhor forma de manter empresas dinâmicas e talentos por perto".
A publicação até reconhece a fraqueza dos Democratas Liberais nesta eleição e diz que eles “não vão a lugar nenhum”, mas acredita que pode ser um ponto de possível unificação entre parlamentares moderados de ambos os lados: conservadores e trabalhistas:
“Nossa esperança é que eles se tornem um elemento de um partido de centro radical, essencial para o sucesso e a prosperidade britânicas", defende a revista.

