CARACAS — Um tribunal militar ordenou nesta terça-feira a prisão de 27 estudantes venezuelanos detidos em uma universidade da cidade de Maracay, no Norte do país, após protestos contra o presidente Nicolás Maduro, segundo a ONG Foro Penal. A corte também determinou a prisão domiciliar para cinco mulheres detidas no domingo passado nessa mesma operação.
— A Promotoria atribuiu os delitos de instigação à rebelião, roubo de itens pertencentes às Forças Armadas, destruição da fortaleza e violação da zona de segurança — relatou o diretor da ONG, o advogado Alfredo Romero.
Com a detenção dos estudantes, o país soma 433 presos políticos, segundo Romero. Os acusados foram enviados para duas prisões comuns. De acordo com o advogado Dimas Rivas, também da Foro Penal, a audiência aconteceu entre a noite de segunda-feira e a madrugada desta terça-feira, com duração de mais de 10 horas.
Os jovens foram detidos no domingo passado dentro da Universidade Pedagógica Experimental Libertador (UPEL), em Maracay, no âmbito dos protestos contra Maduro iniciados há quase três meses e que já deixaram 89 mortos. Luis García, líder estudantil da UPEL, disse à imprensa que seus colegas foram detidos por corpos de segurança não identificados, encapuzados e vestidos com roupas escuras que invadiram a autonomia universitária.
Na quinta-feira passada, a Polícia anunciou a detenção de 31 estudantes universitários em um protesto da oposição em Caracas. Os jovens foram soltos no domingo.
As manifestações contra o governo venezuelano têm resultado em distúrbios, muitas vezes violentos. Em três meses, mais de mil pessoas ficaram feridas, segundo o Ministério Público, e mais de 3.500 foram detidas, de acordo com o Foro Penal.

