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Venezuela: Polícia reprime manifestantes com gás lacrimogêneo

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CARACAS — No segundo dia consecutivo de protestos na Venezuela, a polícia lançou nesta quinta-feira gás lacrimogêneo para dispersar pequenas concentrações de manifestantes da oposição em Caracas, impedindo-os de convergir com uma marcha de simpatizantes do chavismo convocada pelo presidente Nicolás Maduro. Na mobilização do dia anterior, três pessoas foram mortas — dois civis e um militar. O aumento da violência e da repressão foi condenado pela comunidade internacional.

No oeste da capital, onde na quarta-feira houve tumultos em uma mobilização maciça de opositores, foram relatados novos confrontos, segundo jornalistas da agência AFP.

— Menos de 100 pessoas estavam mobilizadas, (os policiais) lançaram gás lacrimogêneo, dispersando a manifestação que nem havia bloqueado o trânsito. Isso não vai nos impedir. Vamos nos reagrupar e seguir — disse o universitário Hasler Iglesias, na região de Santa Monica.

Uma forte aparato de policiais e soldados foi mobilizado em algumas avenidas estratégicas de Caracas e em outras cidades, com tanques que normalmente são colocados de barreira contra a passagem dos manifestantes.

Na quarta-feira, um adolescente de 17 anos e uma jovem de 23 foram mortos por homens mascarados em motocicletas, de acordo com a procuradoria venezuelana. Também foi morto um membro da guarda militarizada pelo disparo de um francoatirador na periferia de Caracas.

Líderes mundiais, a União Europeia (UE) e organizações como a Anistia Internacional (AI) demonstraram preocupação com a escalada de tensões e denunciaram a falta de liberdade de expressão no país.

“Apelamos a todos os venezuelanos a se unirem para acalmar a situação e encontrar soluções democráticas no âmbito da constituição”, exortou Nabila Massrali, porta-voz da UE.

A Anistia Internacional, por sua vez, advertiu que a onda de violência ameaça a vida da população:

“A onda de violência e repressão durante as manifestações na Venezuela está mergulhando o país em uma crise de difícil retorno que ameaça a vida e a segurança da população”, alertou a organização em um comunicado divulgado em Buenos Aires.

Os Estados Unidos fizeram uma dura advertência aos funcionários públicos venezuelanos para desistir da repressão.

Em Washington, o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, afirmou na quarta-feira que o governo de Maduro viola sua Constituição ao não permitir que se escute a voz da oposição, algo que a chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez, considerou um “intervencionismo sistemático”.

Maduro ativou a operação militar e policial para “derrotar o golpe de Estado”, pelo qual responsabiliza “a direita apátrida venezuelana” e os Estados Unidos. A medida foi considerada pela oposição como uma medida intimidadora e de repressão.

Mais cedo, o representante interino dos Estados Unidos na Organização dos Estados Americanos (OEA), Kevin Sullivan, considerou como infundadas e irracionais as acusações de “apoio americano a um golpe na Venezuela, assim como o apoio a manifestações violentas”.

Feitas durante sessão do Conselho Permanente da OEA, as declarações de Sullivan foram uma reação às acusações feitas pelo vice-chanceler venezuelano, Samuel Moncada, sobre a suposta participação dos Estados Unidos em um golpe na Venezuela.

Moncada disse ainda que a OEA serviria de sala de comando para incitar a violência em Caracas e acusou o secretário-geral da organização, Luis Almagro, de convocar a guerra civil.

Centenas de pessoas protestaram contra o governo chavista nos últimos dias em várias cidades da Europa e da América, como ocorreu nesta quarta-feira em Madri e em Miami. Duas redes de TV internacionais denunciaram que foram tiradas do ar por ordem do governo venezuelano.

O canal colombiano El Tiempo e o argentino Todo Noticias explicaram em seus sites que a autoridade de telecomunicações (Conatel) ordenou sua retirada da grade do sistema de televisão por assinatura DirecTV.

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