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Venezuela tem golpe de Estado em etapas, diz deputado opositor

RIO - Fora do país para denunciar a situação democrática da Venezuela à OEA, o deputado opositor Luis Florido, que pediu proteção ao organismo interamericano, diz não haver mais separação de Poderes no país. Em entrevista ao GLOBO, ele reiterou seu pedido pela mobilização de civis e das Forças Armadas.

Há algum tempo não há essa separação de Poderes na Venezuela. Já havia vários sintomas por parte do Tribunal Supremo. Mais que sintomas: 53 sentenças contra a Assembleia Nacional (AN), que agora são 55 com essas duas últimas. E mais uma série de sentenças que afetam unilateralmente as decisões da AN.

Acredito que se perpetrou um golpe de Estado, como tal, um golpe aberto. Assim se vê na comunidade internacional, no mundo e na Venezuela. Estamos na presença do que se denomina um golpe de Estado continuado, ou seja, que foi feito em etapas, e teve sua maior expressão com essa sentença.

A Procuradoria tomou hoje uma atitude de caráter republicano, de defesa da democracia. A reação da procuradora-geral da República é um resgate da necessidade republicana de sustentar a democracia no nosso país. Aplaudimos a valentia da procuradora.

Bem, nesses níveis não era previsível. É um autogolpe. E os únicos que perdem neste momento são a democracia venezuelana e o próprio governo, que acaba legitimando o informe de Luis Almagro (secretário-geral da OEA) e a convocação do Conselho Permanente da OEA. É uma forma de mostrar, sem nenhum pudor, que a Venezuela está vivendo uma ditadura.

Primeiro, entramos com uma ação junto à Procuradoria-Geral, acusando os magistrados da Sala Constitucional, por quebra da ordem constitucional. Por outro lado, vamos mobilizar as ruas. Amanhã (hoje), toda a Venezuela será mobilizada, todos os estados.

As Forças Armadas têm a responsabilidade de atuar num momento como este, para deter a ação de uma ditadura. As Forças Armadas são garantidoras da Constituição e devem ser firmes diante de sua violação. Creio que, internamente, devem estar fazendo movimentos importantes, porque sabemos que ninguém está disposto a permitir que se acabe totalmente com a ordem na Venezuela. Tudo o que vem acontecendo é o que está agravando a pobreza e a situação que vivemos hoje. Vivemos um momento de ruptura, e este momento de ruptura requer reações de civilidade por parte dos deputados, dos venezuelanos e das Forças Armadas.

Todos os organismos internacionais, desde a OEA, o Mercosul e a Unasul, até a União Europeia e a ONU reagiram contra essa situação. Haverá uma nova convocação do Conselho Permanente da OEA nos próximos dias, e a ONU convocou uma reunião. Podíamos estar diante da possibilidade de não só se aplicar o Artigo 20 da Carta Democrática, mas inclusive o 21 (quando há a ruptura da ordem democrática), pela gravidade do que aconteceu na Venezuela.

Volto a Caracas na próxima quinta-feira, de Bogotá. A menos que o Conselho Permanente da OEA seja novamente convocado, pois teria que retornar a Washington. Sentir medo em momentos como este é perfeitamente normal, ainda mais quando entendemos que a ação da violência legal e ilegal aponta contra nós. Particularmente contra mim e contra todos os deputados. Mas, em momentos como este, também aprendemos a transformar o medo em coragem, coragem que nos dá força para seguir adiante. E a força fortalece nossa fé no futuro.

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