WASHINGTON, 6 Mar (Reuters) - O aumento dos preços da gasolina após o início dos ataques aéreos dos EUA contra o Irã pode ser um choque para o consumidor, mas a alta global do petróleo provavelmente não levará a uma inflação persistente, nem justificará uma mudança na política monetária, disse nesta sexta-feira o diretor do Federal Reserve Christopher Waller.
"Haverá um aumento acentuado nos preços da gasolina. É isso que os cidadãos americanos verão quando forem abastecer, e ficarão surpresos e um pouco chocados", disse Waller à Bloomberg Television. "Se isso se normalizar em... algumas semanas ou até dois meses, não será um grande problema no futuro."
Os preços do petróleo dispararam para perto dos US$90 o barril, contra US$ 72 antes de o presidente Donald Trump iniciar uma ofensiva aérea sem prazo definido contra o Irã, para derrubar o governo islâmico linha-dura do país. Os preços da gasolina nos EUA subiram cerca de 10%, de pouco menos de US$3 o galão para US$3,32.
Tradicionalmente, os preços da gasolina têm um impacto desproporcional no sentimento do consumidor norte-americano, mas Waller afirmou que a expectativa do Fed é de que o choque de preços seja relativamente passageiro, ao contrário das interrupções no fornecimento de petróleo da década de 1970, que ocorreram em ondas sucessivas e nunca permitiram a recuperação dos preços.
"Isto é... mais como um evento isolado", disse Waller sobre a atual alta dos preços do petróleo. As oscilações dos preços do petróleo, bem como de alguns outros produtos básicos, como alimentos, são um dos motivos pelos quais o Fed se concentra no "núcleo" de inflação, que exclui esses itens voláteis, ao tentar atingir a meta de 2%.
Trump não estabeleceu um prazo para o conflito. A navegação pelo Estreito de Ormuz praticamente parou, e algumas autoridades regionais alertaram para novos aumentos de preços, dependendo do sucesso dos contra-ataques iranianos e da duração do conflito.
Os mercados estão mais céticos quanto à probabilidade de novos cortes nas taxas de juros do Fed.
Waller afirmou que o principal risco para as perspectivas do Fed é se o choque do petróleo "se tornar mais permanente".
"Então começará a se espalhar para outras partes da economia", disse.
(Reportagem de Howard Schneider)

