A caminho do hospital para uma cirurgia cardíaca, um homem viu o próprio filho ser baleado por engano pela polícia, na zona Sul do Rio. O pai, que sofreu um infarto, iria colocar dois stents no coração — procedimento que aguardava há 8 meses — e também acabou atingido por estilhaços.
Segundo o G1 Rio de Janeiro, a família pegava carona com um vizinho. Na descida da comunidade Chácara do Céu, os três cruzaram com um carro da PM. Em nota, a corporação admite o disparo acidental de um dos militares.
Conforme o relato policial, uma equipe da UPP trafegava no Parque Ecológico, quando "a arma de um dos integrantes da guarnição disparou acidentalmente durante uma curva fechada".
O próprio paciente acabou ferido e relatou a dificuldade de passar pelo susto justamente quando ia tratar de um problema no coração. Ele diz que entrou em pânico.
"Você ver o seu filho todo ensanguentado no seu colo. Você passar por um problema e aguentar esse tranco! Ainda consegui trazer ele com tranquilidade para socorrer, é uma coisa muito complicada, muito difícil. Todo mundo ficou muito estarrecido", disse.
O disparo e os estilhaços atingiram a mão do jovem e praticamente deceparam o dedo polegar. Nervoso, o pai do jovem preferiu pegar carona com outro vizinho até o hospital.
Na quinta, o jovem foi operado no Hospital Municipal Miguel Couto. Agora, aguarda uma cirurgia plástica reparadora na mão.
O caso foi registrado na delegacia. A família pretende entrar com uma ação contra o estado. Eles têm medo de que o ferimento na mão prejudique o trabalho do jovem, que é vigilante patrimonial.
"(O Estado) deveria preparar melhor os policiais pra que isso não acontecesse, porque não é um caso isolado. Isso acontece toda hora. (A ação é) pra ver se dá um basta nisso também, às vezes o policial também trabalha sobrecarregado e com salário atrasado e cheio de problemas psicológicos", avalia.

