Um ano e meio depois de ser preso pelo brutal assassinato da ex-namorada, o dentista Thiago Medeiros goza de benefícios na cadeia enquanto aguarda o julgamento. A Justiça o autorizou a trabalhar na unidade penitenciária e concedeu a ele uma cela exclusiva para que possa ‘descansar’. A família da vítima critica a medida e cobra justiça.
Segundo o G1 Rio de Janeiro, Nathalie foi morta em junho do ano passado. O corpo dela foi encontrado carbonizado na cidade de Vassouras, no sul fluminense. Ela estava grávida de três meses e, segundo as investigações, a gestação seria o motivo do crime. Thiago era o pai do bebê, e a polícia diz que ele não aceitou a gravidez porque estava noivo de outra mulher.
Thiago foi preso pouco depois do corpo de Nathalie ser encontrado. Ele foi a última pessoa a ser vista com a ex-namorada. A prisão preventiva dele foi decretada de imediato, no mesmo dia em que ele prestou depoimento.
O dentista ficou preso até maio deste ano em Bangu. Em seguida, ele foi transferido para Benfica, onde segue preso. A defesa dele conseguiu uma liminar para que ele pudesse trabalhar na cadeia.
A decisão foi da desembargadora Giselda Leitão Teixeira, da 4ª Câmara Criminal, que autorizou Thiago a trabalhar como dentista no presídio. Mas, conforme registrado em ofício, a coordenadora de gestão em saúde da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) pediu que a decisão fosse reconsiderada.
A Divisão de Odontologia da Seap alertou que o trabalho utiliza instrumentos como lâmina de bisturi, agulhas e objetos para extração de dentes e que qualquer problema por causa de um atendimento inadequado, pode gerar sequelas e até risco de vida. A desembargadora então, mandou guardar esse material. Thiago passou, então, segundo a Seap, a atuar apenas na prevenção, ensinando os presos como escovar os dentes e usar fio dental.
De acordo com a perícia, os dentes da farmacêutica foram arrancados pelo dentista com o objetivo de dificultar a identificação da vítima.
A família de Nathalie denuncia ainda que o Thiago está recebendo mordomias na cadeia. Um documento da Seap revela que o dentista está em uma cela isolada na cadeia para ter “mais conforto e tranquilidade” para a reposição de suas energias por conta do trabalho como dentista.

