SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Reduzida pela metade em relação às manifestações do fim de semana anterior, uma carreata neste sábado (25) em São Paulo voltou a pedir o impeachment do governador João Doria (PSDB) e o fim do isolamento social no estado. Cerca de 50 carros e aproximadamente o mesmo número de motocicletas saíram da região do parque Ibirapuera (zona sul) às 14h30 e se deslocou até a avenida Paulista, na região central. Os manifestantes, vestidos com as cores da bandeira do Brasil e estampas com o rosto do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), chamavam Doria de "ditador" e "comunista" por implementar medidas de restrição a serviços não essenciais em meio à pandemia do novo coronavírus. Um carro de som que conduzia os manifestantes era liderado pelo deputado estadual Douglas Garcia (PSL-SP), do movimento Direita São Paulo, e integrantes de outros grupos aliados de Bolsonaro. "A gente tem que derrubar o João Doria", gritava Garcia ao microfone, durante o percurso. "Ele colocou uma tornozeleira em cada um de nós. Tirou o nosso direito de trabalhar. Doria está soltando os bandidos e deixando o povo preso em casa." Ao chegarem à avenida Paulista, os manifestantes ocuparam faixas à esquerda da via. Ao contrário das manifestações dos últimos dias 18 e 19, não houve momento em que a avenida foi bloqueada. Naqueles dias, a Polícia Militar, que acompanhou o trajeto da carreata dando escolta, não impediu que os veículos ocupassem qualquer espaço -com o tempo, a PM e os próprios militantes abriram uma via de escape, mas ali o trânsito também era lento. Isso levou Doria a reforçar orientação à Secretaria da Segurança Pública de São Paulo para impedir que manifestantes fechem ruas e avenidas, como adiantou em entrevista à Folha de S.Paulo. O tucano pediu à população que faça manifestação pela internet durante a quarentena do coronavírus. "Não somos contra manifestações, somos democráticos, mas não façam isso de forma irresponsável nas ruas", disse Doria no última quarta-feira (22). Dentro da Polícia Militar a fala de Doria foi uma surpresa, e havia uma preocupação de traçar novo plano para acompanhar a carreata deste sábado. Das sacadas, algumas pessoas apoiavam o protesto, enquanto outros criticavam, com gestos de negativo. Em determinado momento, moradores da Paulista jogaram ovos no carro de som da manifestação.