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PF abre inquérito para apurar gestão fraudulenta no BRB, dizem fontes

PF abre inquérito para apurar gestão fraudulenta no BRB, dizem fontes
PF abre inquérito para apurar gestão fraudulenta no BRB, dizem fontes

Por Ricardo Brito

BRASÍLIA, 3 Fev (Reuters) - A Polícia Federal abriu um inquérito criminal para apurar gestão fraudulenta no Banco de Brasília (BRB), disseram duas fontes da corporação com conhecimento do caso à Reuters nesta terça-feira, em mais um desdobramento das apurações que envolvem o Banco Master.

O caso foi revelado por veículos de imprensa brasileiros e confirmado pela Reuters.

O Banco Central rejeitou, em setembro do ano passado, a compra do Master pelo BRB após concluir análise acerca da capacidade financeira da instituição, que tem como principal acionista o governo do Distrito Federal, para fazer frente ao negócio.

Em novembro, quando foi decretada a liquidação extrajudicial do Master pelo BC, dirigentes do BRB foram alvos de mandados de busca e apreensão e foram afastados dos cargos por suspeitas de envolvimento em irregularidades.

Em nota divulgada nesta terça, o BRB informou ter encaminhado à PF e ao Banco Central relatório preliminar de auditoria forense preparada pelo escritório de advocacia Machado & Meyer, contratado pelo banco, com "achados relevantes".

"Dando resposta ao quanto constatado na investigação independente, e com o intuito de resguardar seus interesses, recuperar seus créditos e ativos e ver ressarcidos os prejuízos causados pelos agentes relacionados à Operação Compliance Zero, o BRB informa que vem adotando inúmeras medidas institucionais, administrativas, extrajudiciais e judiciais relacionadas a fundos de investimentos, garantias e carteiras de crédito, adquiridas pelo BRB", disse o banco.

O BRB acrescentou que as medidas serão reforçadas por novas iniciativas, "para garantir a efetividade da preservação dos interesses do Banco" e que a instituição segue sólida.

Reportagem da Reuters apontou que um esquema de sucessivas operações financeiras triangulares usou o BRB para abastecer o caixa do Master, e envolveu empréstimos consignados e geração de créditos de fachada.

Em depoimento à Polícia Federal no final de dezembro, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, afirmou que a reserva de recursos que o Banco de Brasília iria precisar provisionar dentro do balanço para cobrir operações feitas com o Master seria de "elevada monta" e poderia chegar a R$5 bilhões.

O valor é quase o dobro do provisionamento inicial -- de quase R$2,6 bilhões -- que a própria autoridade monetária havia pedido ao BRB para cobertura de eventuais rombos em operações feitas com o Master.

Aquino também disse que desde março o BC apresentou questionamentos por meio de ofícios mostrando a preocupação com o BRB em relação a operações.

FICTOR

A Polícia Federal concluiu as investigações que envolvem o Grupo Fictor, segundo outra fonte da corporação disse à Reuters, sem dar detalhes das conclusões.

Assim como o BRB, o Fictor também tentou comprar o Banco Master no ano passado.

No domingo, o Grupo Fictor protocolou pedido de recuperação judicial para a Fictor Holding e ‍Fictor Invest no Tribunal de ‌Justiça de São Paulo, afirmando que o valor dos compromissos soma, aproximadamente, R$4 bilhões.

Em nota, o Grupo Fictor disse ter conhecimento da existência de inquérito policial instaurado pela PF desde 2023 envolvendo a empresa Fictor Agro "sem qualquer relação com a recuperação judicial pedida no último dia 1º de fevereiro".

A nota diz ainda que o grupo "não foi cientificado da existência de relatório conclusivo até a presente data".

"O Grupo Fictor reafirma, por fim, sua confiança nas instituições encarregadas da persecução penal e seu compromisso com a continuidade sustentável de suas operações."

(Reportagem de Ricardo Brito; Edição de Isabel Versiani, Eduardo Simões e Alexandre Caverni)

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