Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo desta terça-feira, 5, mostrou que Simão Pedro levou as denúncias sobre o cartel metroviário ao presidente do Cade meses antes de o órgão, que regula a concorrência no País, anunciar, este ano, um acordo de leniência com a Siemens, no qual a multinacional admitiu irregularidades em troca da redução de eventuais sanções. A investigação é sobre contratos de 1998 a 2008, período em que São Paulo era governado por políticos do PSDB.
O deputado é um dos principais denunciantes do caso, que passou a ser investigado pelo Cade após a nomeação de Carvalho para a presidência, em julho do ano passado. O presidente do órgão é investigado pela Comissão de Ética da Presidência da República por ter omitido em ao menos quatro currículos oficiais, entre eles o apresentado na sabatina, o fato de ter sido filiado ao PT e trabalhado como chefe de gabinete de Simão Pedro na Assembleia paulista, entre 2003 e 2004. A informação também foi revelada pelo jornal, em setembro.
Carvalho e Simão Pedro vinham negando, em entrevistas, tratativas sobre o cartel, até mesmo por telefone. Um registro de entrada no prédio do Cade em Brasília, no entanto, indica que os dois se reuniram em 6 de dezembro de 2012. Em 19 de setembro do mesmo ano, o próprio deputado anunciou em sua conta no microblog Twitter que teria audiência com o presidente do Cade sobre o cartel do metrô. Nenhum encontro foi divulgado nas agendas de ambos.
Além da tentativa de declarar a perda do mandato de Carvalho, o PSDB vai enviar ao Conselho de Ética de Presidência informações sobre as duas reuniões. "Desde que o caso veio à tona, o que se viu foi uma sucessão de desculpas e contradições, que tornam evidente a existência de conflito de interesses. O presidente do Cade não tem mais condições de se manter no cargo. Ele omite informações deliberadamente e a cada dia se compromete mais", criticou o líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP).
Segundo o líder tucano no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (SP), ao omitir as informações, Carvalho enganou os senadores que aprovaram a indicação dele para o órgão. "A declaração da perda de mandato se faz necessária em defesa do próprio Senado", afirmou.
A Comissão de Ética da Presidência ainda vai se pronunciar sobre o caso envolvendo o presidente do Cade. Recentemente, o órgão recomendou a destituição de Elano Figueiredo da diretoria da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), forçando-o a renunciar ao cargo. Figueiredo omitiu do currículo apresentado ao Senado ter trabalhado para a operadora de saúde HAPVida, uma das campeãs em reclamações de consumidores na ANS. Para o PSDB, o caso de Elano Figueiredo se assemelha ao de Carvalho, no Cade.

