As oscilações do mercado financeiro em torno de pesquisas eleitorais estão no radar da xerife do mercado de capitais brasileiro, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O interesse pelas pesquisas lembra o movimento visto em 2002, durante o processo que levou Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência, segundo apurou o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado.
A possibilidade de antecipação dos resultados dos levantamentos pelos investidores chama atenção, já que o índice Bovespa vem reagindo antes da hora a rumores que circulam pelas mesas de operações a respeito dos números das pesquisas.
Informação privilegiada. O comportamento dos mercados levanta discussões sobre duas práticas. A primeira seria o uso de dados ainda sigilosos para a compra ou venda de ativos, o que configuraria informação privilegiada, passível de punição pela CVM.
Além disso, é usual a contratação de pesquisas privadas por instituições financeiras para monitorar a situação dos candidatos, conforme diversas fontes consultadas pelo Broadcast, que preferiram não se identificar. Um banco pode encomendar uma pesquisa para ficar pronta na véspera da divulgação de um levantamento público e, assim, antecipar o resultado e comprar ou vender ações antes de outros investidores.
Com custo elevado, estimado entre R$ 100 mil e R$ 200 mil, a encomenda parte, geralmente, de bancos e grandes corretoras. A contratação privada é comum e não representa irregularidade, desde que não seja publicada sem registro. Mas o uso da informação para comprar ou vender ações antecipadamente é questionado pela CVM.
“O uso de informação de resultados de pesquisas de opinião pública relativas às eleições ou aos candidatos, para conhecimento público, antes de divulgação ao público, pode caracterizar prática não equitativa”, alerta a CVM.
