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Despejos de escolas de samba ameaçam carnaval da Série A do Rio

RIO - Depois do corte de verbas para os desfiles de 2018, desta vez são os despejos de escolas de samba de seus barracões que ameaçam a Série A (segunda divisão da folia carioca) para o ano que vem. Nos últimos meses, cinco das 13 agremiações do grupo foram desalojadas. Diante da situação, a Liga das Escolas de Samba do Rio (Lierj) divulgou uma nota nesta sexta-feira manifestando preocupação com os preparativos para a festa de 2019 na Sapucaí. “Fica a cada dia mais crítica” a situação, diz a entidade.

Até agora, Acadêmicos de Santa Cruz, Inocentes de Belford Roxo, Alegria da Zona Sul, Unidos de Bangu e Acadêmicos do Sossego já perderam o local onde confeccionavam suas alegorias, na Zona Portuária do Rio. Mais três escolas estão ameaçadas: Acadêmicos da Rocinha, Renascer de Jacarepaguá e Unidos do Porto da Pedra. No caso desta última, diz a Lierj, já há uma ordem de despejo, e a vermelha e branca de São Gonçalo não tem para onde levar suas alegorias.

“É extremamente preocupante observar que as desocupações vêm ocorrendo sem qualquer tipo de planejamento por parte do poder público e da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto (), responsável pela maior parte das ações de despejo. Até o momento, o que vem sendo notado é que as escolas estão sendo removidas e jogadas ao relento, sem que haja a indicação de outros espaços para que os carros alegóricos e os materiais possam ser preservados e transferidos, de forma que os trabalhos continuem sem prejuízo ao carnaval da Série A do Rio de Janeiro e, consequentemente, aos artistas que vivem dessa manifestação cultural”, afirma a nota da Lierj.

Nesse compasso, a Liga continua no aguardo de uma resolução da prefeitura quanto a uma possível cessão de um terreno na Avenida Brasil para a construção de uma espécie de Cidade do Samba 2. A área, próxima ao antigo Sabão Português, serviria sobretudo a essas agremiações que estão ficando sem teto. Atualmente, os carros alegóricos da Alegria da Zona Sul estão espaço, a céu aberto, sob chuva e sol.

“Vale ressaltar, ainda, que vêm sendo comuns os casos de incêndios envolvendo barracões da Série A. Só neste ano, por exemplo, o fogo já destruiu alegorias e trouxe incontáveis prejuízos para escolas como Porto da Pedra e Unidos da Ponte. Nunca é demais recordar que, no carnaval de 2018, a verba (que já sofrera um corte de 50% e um impacto direto de 75% no valor total) só foi liberada a menos de duas semanas para os desfiles. Na ocasião, houve uma promessa da Riotur para que as conversas fossem antecipadas e esse problema não se repetisse no ano seguinte. Enquanto isso, já estamos em agosto, e a maioria das escolas de samba da Série A sequer possui um local para construir o carnaval”, continua a nota da Liga.

Os últimos despejos aconteceram nesta quinta-feira, quando Santa Cruz e Inocentes de Belford Roxo foram obrigadas a deixar seus barracões, na esquina das avenidas Rodrigues Alves e Professor Pereira Reis, no Santo Cristo. Segundo a Lierj, órgãos da prefeitura e a Polícia Militar já agendaram reuniões para desalojar também a Porto da Pedra.

Há décadas, as escolas ocupam áreas cedidas ou invadidas na Zona Portuária. Para as agremiações do Grupo Especial, foi criada a Cidade do Samba, na Gamboa. Já as dos grupos de acesso continuaram em galpões sem estrutura na região. As pressões começaram com as obras de revitalização do Porto, mas aumentaram este ano, com os despejos em série.

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