Início Saúde e Bem-estar Relator admite mudar parecer sobre exclusividade médica em procedimentos estéticos faciais
Saúde e Bem-estar

Relator admite mudar parecer sobre exclusividade médica em procedimentos estéticos faciais

Relator admite mudar parecer sobre exclusividade médica em procedimentos estéticos faciais
Relator admite mudar parecer sobre exclusividade médica em procedimentos estéticos faciais

Bruno Spada / Câmara dos Deputados

A Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados se reuniu nesta terça-feira (24) para discutir a proposta que torna as cirurgias plásticas faciais procedimentos exclusivos de médicos. Durante a audiência pública, o relator do projeto, deputado Allan Garcês (PP-MA), comprometeu-se a revisar seu parecer, inicialmente entregue em dezembro. O relatório de Garcês ao PL 1027/25 é um substitutivo que inclui, além das cirurgias plásticas, a medicina estética.

Embora defenda que todos os procedimentos estéticos invasivos sejam considerados atividades exclusivas de médicos, Garcês reconheceu que os procedimentos estéticos não cirúrgicos, que utilizam agulhas e são minimamente invasivos, poderiam ser excluídos da restrição proposta. “A nossa preocupação é com a segurança. Queremos que as profissões da área da saúde estejam preparadas para oferecer o melhor cuidado ao paciente”, afirmou.

O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Marcelo Moura Costa Sampaio, alertou sobre os riscos associados a cirurgias estéticas realizadas por profissionais sem formação adequada. Ele citou um relatório da Anvisa de 2025, que indica que clínicas de estética lideram com 52% o total de queixas sobre serviços de saúde. “A cirurgia plástica requer uma formação longa e complexa. O que está em jogo não é o mercado, mas a segurança da população”, enfatizou.

Marcelo Prado, representante do Conselho Federal de Medicina, acrescentou que cirurgias invasivas não se limitam apenas a intervenções em órgãos internos. “Profissionais não médicos, especialmente odontólogos, têm realizado cirurgias complexas, como rinoplastias e plásticas faciais, amparados por argumentos enganosos e resoluções de seus conselhos que ultrapassam a legislação e o escopo de suas formações”, afirmou. Ele destacou que, na maioria dos países, odontólogos são proibidos de realizar cirurgias na boca, maxilares e face, e anunciou que o Conselho Federal de Medicina tomará medidas judiciais contra essa prática.

Em resposta, o presidente da Comissão de Regulamentação das Cirurgias do Conselho Federal de Odontologia, Renerson Gomes dos Santos, defendeu sua classe. “O chamado 'ato médico' não se aplica a nós. Não somos subordinados a outra profissão nem regidos por outros conselhos. Não aceitaremos qualquer tentativa de reserva de mercado”, rebateu. Ele ressaltou que a formação de um odontólogo inclui três anos de residência em cirurgia bucomaxilofacial, cinco anos de graduação e três anos de experiência em cirurgias estéticas orais e faciais.

O presidente do Conselho Federal de Biomedicina, Edgar Garcez Junior, também destacou a autonomia de outras profissões. “Em 2010, a Vigilância Sanitária nos sinalizou que havia muitos biomédicos realizando procedimentos em clínicas médicas, e surgiu a necessidade de regulamentar essa prática. Assim, criamos a especialidade em biomedicina estética, atendendo a uma demanda do mercado”, explicou.

As áreas de farmácia, enfermagem e biologia também estão envolvidas na proposta. Representantes desses conselhos defenderam a realização de procedimentos estéticos por seus profissionais. Roselaine Roratto, representante do Conselho Federal de Enfermagem, argumentou que o debate não é técnico, mas sim uma “reserva de mercado”.

O projeto em questão foi proposto pela deputada Fernanda Pessoa (União-CE).

Extraído de Câmara dos Deputados

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?