Na última quinta (29), a empresa carioca Copapa (Companhia Paduana de Papéis) lançou o primeiro papel higiênico com rótulo ABNT Ambiental, que certifica sustentabilidade nas fases de extração de recursos, fabricação, distribuição e descarte.
Além de diminuir a pegada ecológica da empresa, o objetivo do produto é atingir os consumidores preocupados com o meio ambiente. No produto final, as diferenças são a embalagem plástica e o tubete central do papel Carinho Eco Green, que são compostáveis. O plástico da embalagem é feito à base de milho e o tubete com cola à base de fécula de mandioca.
Após seis meses, garante o fabricante, se descartados em composteiras com resíduos orgânicos, eles se diluem.
O processo de desenvolvimento do produto consumiu R$ 10,2 milhões em pesquisa e cerca de R$ 47 milhões em maquinário. A empresa vai começar a comercialização no Rio de Janeiro, em São Paulo, Minas Gerais e no Espírito Santo.
O Brasil é o quarto maior produtor de celulose da fibra curta (grande parte vinda do eucalipto), a fibra usada para esses itens. O segmento dos papéis tissue (toalha), que inclui guardanapo, papel higiênico e papel toalha, é um dos mais importantes do papel.
Na extração da matéria prima, a celulose selecionada para produzir o novo papel da Copapa é virgem e certificada pela FSC® (Forest Stewardship Council), organização que promove o manejo florestal responsável. O selo indica que a celulose é de florestas plantadas, sem desmatamento.
A produção do papel higiênico não usa alvejantes. Esse é um item importante da pegada ambiental. Na fabricação dos similares tradicionais, processos de branqueamento à base de cloro são extremamente poluentes.
O processo de secagem, que no modo tradicional demanda grandes quantidades de energia, foi modificado para uma caldeira que usa cavacos (aparas de madeira) da indústria moveleira. O carbono emitido na fabricação e na distribuição é neutralizado com plantio de árvores, feito em parceria com a SOS Mata Atlântica.
Os plásticos que embalam os rolos nas gondolas são feitos com cana-de-açúcar e são destinados à reciclagem por meio de um acordo logística reversa. Para garantir a reciclagem do mesmo volume de plástico que utilizou, a empresa destina o equivalente à Cooperativa de Catadores de Santo Antônio de Pádua, cidade onde está instalada a fábrica.
E por que não usar papel reciclado? A resposta, segundo Fernando Pinheiro, diretor-presidente da Copapa, está no ciclo de vida. A fibra de celulose pura, presente no papel higiênico, é fofa, absorve água e não fixa tinta. Pelo contrário, a fibra difunde a tinta. Para que possa receber tinta, ela passa por um processo de branqueamento, com a aplicação de uma carga mineral.
Para fabricar papel higiênico a partir de papel velho, como aparas de gráfica, você teria de retirar toda essa carga mineral. Gastaria mais energia com os equipamentos depuradores, que fazem a separação entre fibra de celulose e carga mineral, bastante produto químico para poder limpar e segregar essa carga mineral da fibra de celulose, teria uma enorme geração de resíduo e perderia água, afirma Pinheiro.
Reciclar papel de escrever e imprimir para mais papel de imprimir faz mais sentido, porque você consegue reter a carga mineral. Mas no papel higiênico, não. Para produzi-lo, se gasta muito menos energia, menos água e muito menos produtos químicos para fazer à base de celulose, afirma.
A Copapa, criada em 1960, é a maior produtora de papel para fins sanitários do Rio, com capacidade de aproximadamente 58 mil toneladas/ano. A linha ecológica é a primeira a ser produzida com esses padrões. A empresa promete enquadrar toda a produção até 2023 nestes padrões.
