SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A polícia solicitou a quebra dos sigilos bancários da líder comunitária Vera Lúcia da Silva Santos, 64 anos, e da ONG Auri Verde, presidida por ela. A ativista desapareceu em 16 de julho no Grajaú, na zona sul de São Paulo. O carro dela foi encontrado queimado dois dias depois, com um corpo carbonizado no porta-malas. A Justiça não havia acatado o pedido até a publicação desta reportagem. A ONG Auri Verde afirmou contribuir com as investigações e "aguarda o final do inquérito para se pronunciar." Uma das linhas de investigação do DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa) é a de que o desaparecimento da líder comunitária possa ter sido motivado pelas movimentações financeiras feitas por ela. Quem realizou o crime, segundo a polícia, teria ciência dos valores que circulavam pelo caixa da ONG, que cuida da administração de creches na capital paulista. Até o momento, cerca de 20 pessoas, incluindo parentes e funcionários da entidade, prestaram depoimento. A reportagem apurou que a quebra do sigilo telefônico de outros suspeitos também foi solicitada pela polícia. Segundo um documento de "demonstração de resultados" divulgado no site da Auri Verde e referente ao ano de 2017, a ONG movimentou mais de R$ 7 milhões, incluindo pagamento de contas e dos salários de colaboradores da entidade. "Achamos que a motivação para o crime foi financeira, por causa de algum problema de dinheiro na ONG", afirmou um policial, que acompanha as investigações, em condição de anonimato. O corpo encontrado no porta-malas do carro da líder comunitária ainda não foi identificado. Segundo a polícia, como o cadáver estava muito carbonizado, sua arcada dentária foi destruída. Além disso, a condição em que ele foi encontrado dificultou o recolhimento de material genético para a realização de exames de DNA, já requisitados ao Instituto de Criminalística. A data para finalização das análises não foi informada. Vera desapareceu em 16 de julho após receber um telefonema e sair da OSC (Organização da Sociedade Civil) Auri Verde, onde trabalha desde 1992. Um amigo da líder comunitária, que pediu anonimato, afirma ter presenciado o momento em que ela recebeu a ligação, por volta das 10h20. "Ela respondeu tá, tá, ok, ok, e saiu sem falar para onde ia em seguida", diz. A testemunha afirmou à reportagem, na ocasião, que Vera costumava se deslocar sempre com um motorista, mas que no dia em que foi sequestrada saiu sozinha. A entidade presidida por Vera atua há 28 anos na região. Atualmente, a ONG administra seis creches e um centro de juventude, onde são oferecidos cursos de capacitação à comunidade. Vera também pertence ao Conseg (Conselho Comunitário de Segurança) da região. O amigo disse que, ainda em 16 de julho, telefonou para o celular de Vera, após se preocupar com a demora da líder comunitária em retornar à ONG. As ligações foram atendidas três vezes, por uma mulher desconhecida. Em 18 de julho, o carro de Vera, um Volkswagen Fox, modelo 2010, foi encontrado destruído pelo fogo, por volta das 10h, por policiais militares que faziam ronda pela rua Doutor Pedro de Castro Valente.