Dona da rede Sancta Maggiore, que conta com oito hospitais e quatro unidades de pronto atendimento, a Prevent Senior planeja lançar até junho o Hospital Sancta Maggiore Morumbi. De acordo com a operadora, o novo hospital contará com oito centros cirúrgicos e 159 leitos, divididos entre enfermaria, apartamentos e UTI.
Os detalhes, "pensados exclusivamente para oferecer ainda mais conforto e acolhimento", segundo a assessoria de imprensa, incluem, por exemplo, lounges e jardins internos nos andares, 2.000 m² de área verde e iluminação natural nos leitos, nas áreas comuns e até nas salas cirúrgicas. Além disso, todos os apartamentos possuem suítes exclusivas para os acompanhantes.
A unidade do Morumbi faz parte do plano de expansão da Prevent Senior, que deve entregar outros 11 novos hospitais nos próximos anos. Entre os projetos, a operadora anunciou também, sem previsão de inauguração, a Cidade Prevent Senior, localizada em uma área de 58.000 m² na Mooca, zona leste de São Paulo.
"Todos os beneficiários da Prevent Senior terão direito a utilizar as novas unidades da rede própria Prevent Senior, independente do plano contratado, sem custo adicional", informou a operadora, por meio de nota.
Para a médica Ana Maria Malik, coordenadora do Centro de Estudos em Planejamento e Gestão da Saúde da Fundação Getúlio Vargas (FGVsaúde), o crescimento da rede Prevent Senior se deve, em parte, à padronização do atendimento. "Se você quer ter uma rede, faz parte do desenho saber quem você é e que tipo de serviço você quer prestar", diz.
Malik identifica a mesma característica no plano de expansão do A.C.Camargo, que tornou-se referência no tratamento de câncer, segundo ela, justamente por garantir a mesma qualidade de atendimento a todos os pacientes. "O que muda, a rigor, é o tipo de instalação", explica.
"Não vamos trazer coisas pirotécnicas ou de muito luxo", afirma Marcos Cunha, superintendente de negócios do A.C.Camargo. Em fevereiro, o centro começa a primeira fase de atendimentos na nova unidade, localizada no Itaim Bibi, zona oeste de São Paulo.
O hospital é parte do resultado de um investimento de R$ 360 milhões, destinados também à Unidade Pires da Mota, na Liberdade, e à Unidade Castro Alves, na Aclimação, inauguradas, respectivamente, em agosto e outubro de 2019. O plano de expansão prevê também o lançamento de mais uma unidade no Tatuapé até 2024.
Juntos, os novos hospitais do centro A.C.Camargo adicionam à estrutura da rede 161 consultórios, 67 salas de quimioterapia, 43 salas de exames diagnósticos, 18 salas cirúrgicas e dois complexos de radioterapia.
"A ideia é que todos os serviços que não necessitem de internação passem a estar próximos de onde as pessoas vivem ou trabalham. Você sai do trabalho, por exemplo, faz a consulta ou mesmo uma sessão de radioterapia e volta pro trabalho", explica Cunha.
A unidade do A.C.Camargo no Itaim Bibi não possui quartos para internação e, por isso, os pacientes que precisam de cirurgia continuarão sendo encaminhados para a unidade central.
Segundo o superintendente, o A.C.Camargo tem um histórico de menor participação da classe A entre seus pacientes. A localização em um bairro nobre, com detalhes que incluem vista para o Parque Ibirapuera e atendimento personalizado na área de convivência, é, para Cunha, uma oportunidade de dar mais visibilidade ao centro.
"Não temos intenção de brigar ou iniciar uma competição por esses pacientes [da classe A] de uma forma predatória, mas que a gente possa trazer mais uma alternativa", diz.
Para Malik, da FGVsaúde, em tese, não há certo ou errado no esforço de redes hospitalares em tentar atrair a classe A. "Há dois jeitos diferentes de olhar pra isso. Tem gente que encara como um negócio que pode ser uma commodity de luxo e tem gente que procura atender da melhor maneira possível ao custo mais racional possível".
A médica chama a atenção, entretanto, para os hábitos de pacientes que enxergam na saúde uma área de consumo como outra qualquer. "As pessoas acabam confundindo saúde com consumir procedimentos, bens e serviços ditos de saúde. Fazer mais exames é cuidar melhor da saúde? #sqn [só que não]".
