Manaus/AM - De um jovem cheio de vontade de trabalhar, que iniciou a trajetória profissional aos 14 anos de idade trabalhando em uma fábrica de vassouras, ao advogado que é apontado por colegas de profissão como um homem ético, integro, com habilidades de liderança e sempre disposto a contribuir com os advogados, assim é a história de Silvio Costa.
Os valores e a educação dos pais o levaram a entender desde cedo que não é sempre que a realização profissional vem fácil. Na maioria das vezes, ela só acontece depois de muito esforço, dedicação e vontade de vencer. Nas proximidades da data comemorativa ao Dia do Trabalhador, contaremos uma história de luta, superações, mas acima de tudo, de muito aprendizado e esperança por dias melhores.

Silvio Costa, em visita à fabrica de vassouras onde trabalhou
No início da década de 80, Silvio da Costa Bringel Batista, um estudante do ensino fundamental, sonhava em se tornar engenheiro mecânico e trabalhar no distrito industrial de Manaus. Para ele, quanto mais cedo começasse uma atividade profissional, mais portas se abririam para a realizar de seus sonhos.
Foi acompanhando o pai em meio ao trabalho diário, que Silvio começou a ‘tomar gosto’ pela rotina empregatícia, até que um dia lhe pediu para ter um emprego formal. “Sentei ao lado dele e pedi que me arrumasse um emprego, pois já tinha vontade de ter meu próprio salário. Tivemos uma reunião em casa e minha mãe contrariada, quis que eu me dedicasse aos estudos, em vez de trabalhar fora, mas com jeito eles foram aceitando e meu pai me ajudou a encontrar um emprego”, disse.
Após a manhã de estudos, Silvio foi levado pelo pai até o primeiro emprego pensando ser uma industria no Distrito Industrial de Manaus. Chegando lá, o susto com o local de trabalho, que passava longe de uma empresa de grande porte, mas por se tratar de uma pequena fábrica de vassouras, com telhado de palha, paredes de madeira, no final de uma rua sem saída.
Ali era o início do arregaçar das mangas, para uma tarefa diária na fabricação de vassouras. O primeiro patrão ‘Sr. Sátiro’, incentivava vários adolescentes na época na missão de confeccionar cada produto antes da distribuição do material nos pequenos comércios da cidade. “Entre as lembranças que trago daquela época são os inúmeros conselhos do ‘Sr. Sátiro’, sempre nos ensinando a profissão. No final do dia recebíamos o lanche, que chegava com pão quentinho e guaraná. Para nós aquela era a maior recompensa do dia”, contou.

Sr. Sátiro, proprietário da fábrica de vassouras
Com sonhos de crescer e prosperar, Silvio inventou uma vassoura mais resistente que passou a ser o "carro chefe" da fabriqueta, com "moral" propôs ao patrão trocar o salário por vassouras, a preço de custo, as quais seriam revendidas. Sem o apoio do patrão por causa da produção mínima diária, o jovem teve a ideia de trabalhar após o expediente, para que assim fabricasse às próprias vassouras que venderia nos comércios. A atitude fez triplicar o salário do então estudante que conseguiu ajudar os pais em despesas domésticas, como o compromisso de pagar a conta do telefone, além de guardar dinheiro para comprar seu primeiro carro, um fusca.
Entre tantas profissões exercidas, Silvio também foi Office boy em Posto de Combustíveis, agente de viagens e gerente de agência de turismo e vendeu sorvetes na Praça da Saudade em um box, na época dos ônibus "Manecos", sempre focado no futuro pelo bem de sua família.
Atualmente, Silvio Costa está a serviço do direito. É advogado, atuando na advocacia privada e pública, é procurador da Câmara Municipal de Manaus e tem mais de 30 anos de experiência no serviço público e número de produtividade que surpreende a todos. Silvio tem processos analisados que juntos somam quase 70 mil casos.
Depois de 37 anos do início da vida profissional, o amazonense retornou ao primeiro emprego. Lá encontrou apenas um pequeno casebre fechado e um único armário com antigas ferramentas. ‘Sr. Sátiro’ já havia falecido. Apenas a esposa dona Celeste e a filha Onélia o receberam com lembranças boas de uma época nostálgica na vida de todos.
Para Silvio Costa esse retorno lhe deu a certeza de que tudo valeu a pena. “Foi aqui onde eu aprendi a ter responsabilidade. Apesar dos meus pais serem de classe média, aprendi a dividir dinheiro, me senti privilegiado por eles terem me deixado trabalhar, valorizando tudo que consegui, para por fim construir minha casa com tijolos firmes e com total aprovação de Deus”, finalizou.


