Em 2021, um total de 65.35% das crianças e adolescentes do estado do Amazonas estavam vivendo em pobreza monetária, índice que só ficava abaixo do estrado do Maranhão, que tinha 69.35% de seus meninos e meninas vivendo nessa situação. Já no índice de pobreza monetária extrema, o Amazonas é o quinto no país, com índice de 26,58%.
Os dados são de um estudo divulgados no último dia 14 pelo Fundo das Nações Unidas pela Infância (Unicef), que mostrou existir no Brasil ao menos 32 milhões de meninas e meninos (63% do total) vivendo na pobreza, em suas múltiplas dimensões: renda, educação, trabalho infantil, moradia, água, saneamento e informação.
Sob o título “As Múltiplas Dimensões da Pobreza na Infância e na Adolescência no Brasil”, o estudo apresenta dados até 2019 (trabalho infantil), até 2020 (moradia, água, saneamento e informação), até 2021 (renda, incluindo renda para alimentação) e dados até 2022 (educação).
No Amazonas, em 2019 no Amazonas, eram 1.117,9 crianças e adolescentes com alguma privação. As que eram privadas de educação, 136,9, em informação, 313,9, de moradia, 329,4, de renda 803,4, saneamento 905,1, proteção ao trabalho infantil, 51,8, de água, 212,1.
O levantamento mostra que a pobreza na infância e na adolescência vai além da renda e inclui aspectos como, por exemplo, estar fora da escola, viver em moradias precárias, não ter acesso à água e saneamento, não ter uma alimentação adequada, trabalho infantil e não ter acesso à informação, fatores considerados privações e que fazem com que tantos meninos e meninas estejam inseridos nesse contexto de pobreza multidimensional.
A falta de acesso ao saneamento – banheiro e rede de esgoto – é uma das privações que mais impactam crianças e adolescentes no Brasil, aponta o estudo, mostrando que quatro em cada dez meninas e meninos estavam privados desse direito, de acordo com dados da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (Pnad Contínua 2020), conforme os últimos disponíveis para esse tema.
Após mostrar haver quase o dobro de crianças e adolescentes negros e indígenas privados do direito ao saneamento no Brasil, em comparação com brancos e amarelos – 47% e 29,7%, respectivamente, o estudo revela que o problema é mais grave nas regiões Norte e Nordeste, em que há estados com mais de 80% das crianças e dos adolescentes privados de saneamento.
Na questão da moradia, a liderança também é da região Norte, com três estados apresentando indicadores de moradia inadequada superiores a 20%, entre os quais o Amazonas, Amapá e Roraima.
Nos estados do Sudeste, onde há grandes conglomerados urbanos, como São Paulo e Rio de Janeiro, apesar dos altos níveis de desenvolvimento socioeconômico, têm mais de 10% das crianças e dos adolescentes vivendo em moradias inadequadas.
Para a chefe de Políticas Sociais, Monitoramento e Avaliação do UNICEF no Brasil, Liliana Chopitea, a pobreza na infância e na adolescência vai além da renda. “Estar fora da escola, viver em moradias precárias, não ter acesso a água e saneamento, não ter uma alimentação adequada, estar em trabalho infantil e não ter acesso à informação são privações que fazem com que crianças e adolescentes estejam na pobreza multidimensional”, explica, que completa afirmando que na maioria das vezes, essas privações se sobrepõem, agravando os desafios enfrentados por cada menina e menino.
Por isso, Chopitea defende ser urgente o Brasil olhar para a pobreza de forma ampla, e colocar a infância e a adolescência no orçamento e no centro das políticas públicas”, defende ela.

