Quem vai partir amanhã, assim, inesperadamente? É a pergunta que fica quando alguém que conhecemos desaparece num instante.
Raul Seixas, no seu "Canto da Morte" nos leva a refletir sobre esse tema perturbador: qual será o meu dia, o teu dia ?
"Eu sei que determinada rua que eu já passei/ Não tornará a ouvir o som dos meus passos/ Tem uma revista que eu guardo há muitos anos/ E que nunca mais eu vou abrir".
A morte de Eduardo Campos reacedendeu esse espanto, quase um medo escondido, de que "a morte surda', caminha ao nosso lado. E que somos tão pequenos ...
"E eu não sei em que esquina ela vai me beijar / Com que rosto ela virá / Será que ela vai deixar eu acabar o que eu tenho que fazer? /Ou será que ela vai me pegar no meio do copo de uísque? / Na música que eu deixei para compor amanhã ?/ Será que ela vai esperar eu apagar o cigarro no cinzeiro/ Virá antes de eu encontrar a mulher, a mulher que me foi destinada?".
Diante de tanta declaração de luto oficial fica a reflexão do mestre Raul Seixas, que é a nossa reflexão nesse dia particularmente triste para o Brasil˙
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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