O velho cacique Amazonino Mendes finalmente saiu da “toca” do Tarumã. Deu o ar de sua graça numa entrevista e fez o que mais sabe: falar de política. E como ele é o “grande pai” dos netos de Mestrinho, sobrou pra alguns filhos. Remanescente dos caciques do pós-revolução, Amazonino assume ares de babalorixá, mas não confessa jamais a “magia” usada para manter seu grupo tanto tempo no poder. Um das teses é de que ele não gosta de ninguém, por isso fala mal dos que com ele conviveram e “sentarem pedras” para a sua batida no dominó. Se não gosta, não tem porque se arrepender das “pernadas” que deu nos seus.

Hábil na arte de usar a vaidade e a ambição das pessoas, o Negão sempre manteve a oposição no “cabresto”, detonando literalmente candidaturas de lideranças oposicionistas que surgiram ao longo de seu reinado. A entrevista não tem nada de novo, mas traz uma indicação no final: “Ainda aguentaria umas duas campanhas eleitorais, mas não quero". E quando ele diz que não quer, é porque quer.

UM ABACAXI PARA BRAGA DESCASCAR
Ainda tem gente se perguntando se o senador Eduardo Braga tinha conhecimento do tamanho do “abacaxi” que teria de descascar no Ministério de Minas e Energia. Às voltas com o rombo bilionário das distribuidoras de energia, “engessado” ante a crise internacional do petróleo, agora vê a viabilidade dos projetos do pré-sal entrar em xeque. Com o óleo bruto já negociado abaixo de US$ 45, os cálculos do plano de investimentos da Petrobras, num cenário de US$ 100 o barril, caem para menos da metade.

Economistas da área lembram que o problema é que o cenário esperado foi embora, mas a dívida ficou.
E é um nó praticamente “indesatável” para Braga. É como lutar contra uma hidra: corta-se uma cabeça, nascem duas no lugar.
FONTES E A MISSÃO IMPOSSÍVEL
O secretário de Segurança, delegado Sérgio Fontes, está se propondo uma missão quase impossível. Vai reformular a Corregedoria Geral de Polícia para combater a corrupção policial. Esse é um gargalo que tem colocado em xeque todo o aparelhamento policial brasileiro, não só o do Amazonas. E Fontes tem razão quando diz que a impunidade fomenta novas condutas ilícitas e por isso deve ser combatida com intransigência.
A grande questão é como desintegrar o corporativismo plasmado na corporação policial. No governo, Amazonino Mendes até já ousou extinguir a Polícia, mas não teve forças para sustentar a decisão.
DILMA FAZ BRASIL PERDER PRESTÍGIO
O segundo governo Dilma começa a desmontar as características do primeiro governo Dilma. O que demonstra que aquele não deu certo, como foi propalado na campanha eleitoral e levou o povo a reeleger a presidente. As medidas econômicas são a antítese da tese econômica do primeiro mandato e a presença do Brasil no mundo começa a ser desvanecida. Neste ano, por exemplo, Dilma não vai ao fórum mundial de meio ambiente de Davos, vai à posse de Evo Morales, na Bolívia. A imprensa internacional destaca que, dos Brics, o Brasil se encontra estagnado.






Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

Aviso