Não sou Bolsonarista , nem Lulista , nem Alexandrista . Mas vejo excessos e desrespeito ao sistema de freios e contrapesos, com um Poder se sobrepondo aos demais - seja pelo ativismo de um personagem, seja porque virou moda judicializar tudo neste País. Vejam só: por mais que achemos Daniel Silveira uma figura tóxica, o perdão conferido a ele pelo ex-presidente Bolsonaro foi legítimo.
O perdão é uma atribuição excepcional conferida pela Constituição ao presidente da República.
Não é possível assimilar sem um questionamento crítico o voto da ministra Rosa Weber contra o ato concedido a Silveira, onde na sua visão faltou impessoalidade e que Bolsonaro atentou contra princípios fundamentais, inclusive de natureza constitucional.
Ora, mas há oposição de princípios. Onde se encontra o raciocínio de que na colisão de princípios, o mais relevante deva prevalecer? Ou Bolsonaro não era, como presidente, a única autoridade competente para deliberar sobre o indulto? O Supremo deixou de responder uma indagação geral: O que exige a Constituição do Brasil para que o perdão seja válido?
Não há maior violência ao Estado Democrático de Direito do que subtrair do Poder Legislativo a autonomia natural de avaliar o comportamento de um de seus membros e até cassá-lo. Como também é uma ofensa à autonomia do Executivo anular um ato conferido constitucionalmente ao presidente da República: o ato de perdoar.
Não se trata aqui de defender Daniel Silveira ou Bolsonaro. Trata-se de defender a democracia, permanentemente ameaçada.
Se somente o Poder freia o Poder, na teoria de Montesquieu, quem freia o ativismo judicial no Brasil? Quem protege, afinal, a democracia? Quem são seus detratores ou seus defensores? É difícil dizer, porque de todos os lados há excessos. De todos os lados há ódio, tentativa de vingança.
Ninguém percebe que a sociedade, que cansou dos Bolsonaristas, começa a cansar dos Alexandristas e dos Lulistas. O que virá depois? Em que estão transformando a sociedade brasileira?
Esse jogo mesquinho, de caça às bruxas, em que juízes e políticos só pensam em ocupar espaço e validar um conceito pessoal de democracia que fatalmente levará a um tipo de “ditadura constitucional” - precisa mudar. O País merece paz, merece voltar a acreditar no futuro e em suas instituições. Não é isso que estamos vendo.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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